
A valorização das línguas indígenas e o fortalecimento das bibliotecas escolares têm papel essencial na preservação da identidade cultural dos povos originários em Minas Gerais. Nas escolas da rede estadual em territórios indígenas, a leitura e a produção de materiais pedagógicos próprios ajudam a manter vivas tradições, saberes e modos de vida.
Dois exemplos são a Escola Estadual Indígena Capitãozinho Maxakali, em Bertópolis, e a Escola Estadual de Educação Infantil, Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Finais - e Ensino Médio, localizada na Aldeia Katurãma, em São Joaquim de Bicas. As iniciativas demonstram como a educação escolar indígena se consolida como instrumento de preservação cultural e promoção do protagonismo das comunidades.
“O mês de abril é marcado pelo Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19/4. É um momento crucial de reflexão sobre a força, a resistência e o direito das comunidades”, afirma Adriane Datas, coordenadora da Educação do Campo Indígena e Quilombola.
Língua viva e identidade fortalecida
Na Escola Estadual Indígena Capitãozinho Maxakali, a língua originária ocupa posição central no processo educativo. O ensino da leitura e da escrita no idioma do povo Maxakali assegura o acesso ao conhecimento sem abrir mão da identidade cultural, fortalecendo a transmissão dos saberes tradicionais.
Para fortalecer as atividades, a unidade recebeu investimentos importantes: R$ 70 mil para aquisição de folhas A4 utilizadas em atividades pedagógicas e administrativas, R$ 30 mil para revitalização dos espaços de leitura e ampliação do acervo bibliográfico, R$ 15 mil para materiais de consumo e jogos pedagógicos e R$ 25 mil para materiais esportivos.
Biblioteca indígena
No território indígena Katurãma, a escola se destaca pelo fortalecimento da leitura por meio da biblioteca escolar. Mais do que um espaço de estudos, o ambiente tornou-se símbolo de valorização cultural e preservação da identidade indígena.
Batizada de Bacumuxá, referência à árvore da sabedoria, a biblioteca integra tradição e educação formal, reunindo obras literárias, memórias e produções culturais indígenas. A revitalização faz parte do Projeto de Leitura e Escrita.
“Mais que livros, reunimos memórias, oralidade e a produção literária também própria, fortalecendo a nossa identidade para as futuras gerações. A nossa biblioteca funciona como um território de conhecimento, unindo a tradição e a educação formal, permitindo também que a própria comunidade narre a sua história. Além disso, a nossa biblioteca transforma o mês de abril, especialmente o dia 19, em uma celebração viva de retomada da cultura, da língua e do território, honrando o passado e apoiando o futuro”, afirma o diretor da unidade, Rafael Martins.
A escola também recebeu cerca de R$ 134 mil para fortalecer as atividades educacionais.
Educação, leitura e ancestralidade
As experiências evidenciam como a leitura, aliada ao ensino das línguas originárias, contribui para a preservação da memória e da identidade dos povos indígenas. Ao promover o acesso a bibliotecas e a materiais didáticos culturalmente contextualizados, a rede estadual reafirma seu compromisso com uma educação inclusiva, equitativa e intercultural.
Produzido com a participação das comunidades indígenas, o Boletim “Território em Foco: Edição especial Educação Escolar Indígena” , referente ao mês de abril de 2026, reúne reflexões e práticas exitosas da Educação Escolar Indígena em Minas Gerais, destacando o protagonismo dos povos originários na construção de políticas educacionais que respeitam suas especificidades.
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