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Livro e arsenal de mensagens: ex-presidente do BRB preparava material para PF

Livro e arsenal de mensagens: ex-presidente do BRB preparava material para PF

16/04/2026 às 18h30
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Livro e arsenal de mensagens: ex-presidente do BRB preparava material para PF

Livro e arsenal de mensagens: ex-presidente do BRB preparava material para PF.

 

Paulo Henrique Costa é suspeito de participar de um ‘esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos’; ele nega.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa costumava andar para cima e para baixo em Brasília com uma pasta de couro, recheada de documentos, e um celular com uma imagem religiosa como proteção de tela. Preocupado com a possibilidade de ser preso, o executivo vinha se preparando para prestar um novo depoimento à Polícia Federal. Ele dizia que não tinha o que delatar, porque era apenas uma peça de uma engrenagem maior, mas que estava disposto a colaborar com os investigadores.

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E, para ajudar os delegados da PF, Costa vinha desenvolvendo um programa de Inteligência Artificial para localizar, por temas e personagens, todas as mensagens que guardava em seu celular. As conversas de WhatsApp variavam desde contatos com diretores do Banco Central até trocas com Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-governador Ibaneis Rocha.

Durante as negociações com o Master, o ex-presidente do BRB recebeu, em junho de 2025, uma mensagem de Ibaneis cobrando um desfecho para a negociação entre o banco público e a instituição financeira de Daniel Vorcaro. No diálogo, o ex-governador do Distrito Federal disse que a operação estava “gerando mais desgaste do que deveria” e que não iria “suportar esse desgaste”. O arquivo dessa conversa de WhatsApp está sob análise da Polícia Federal, que apura indícios de fraude em operações realizadas pelas duas instituições financeiras.

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Procurado, Ibaneis admitiu que sempre cobrava um desfecho para a negociação entre o Master e o BRB, mas esclareceu que não sofria influência de ninguém, nem de Daniel Vorcaro, dono do Master, nem de grupos políticos. A defesa do ex-governador afirma que era natural haver “preocupação acerca do desdobramento de todas as ações que têm repercussões no Distrito Federal”. Paulo Henrique Costa não comentou.

No celular de Costa, que a PF já periciou, há também mensagens trocadas com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, que elogia a apresentação do executivo durante as negociações com o Master e durante a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB.

Os diálogos compilados e impressos por Costa também mostram uma desavença com Vorcaro quando começaram a vir à tona os problemas nas carteiras de crédito do Master adquiridas pelo BRB. Nas conversas de WhatsApp, entregues à PF, Costa reclama de problemas de auditoria do Master e da demora no envio de documentos. Os diálogos foram selecionados pelo próprio Costa para mostrar que discordava da forma como Vorcaro conduzia a operação, que, mais tarde, seria rejeitada pelo Banco Central por suspeita de fraude.

Outra troca de mensagens entre Costa e Vorcaro menciona uma suposta reunião com o comandante do partido União Brasil, Antônio Rueda, durante as negociações da venda do banco para a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. A pessoas próximas, o ex-presidente do BRB dizia que costumava tomar café da manhã com Rueda, que conheceu em Pernambuco, e que esses encontros eram apenas para discutir o cenário político.

Rueda disse em nota que “não comenta diálogos privados” que seriam, no seu ponto de vista, divulgados de forma irregular. O dirigente do União Brasil afirmou também que “não possui qualquer relação” com Vorcaro, “além de contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”.

Além dos arquivos de WhatsApp, Costa reunia documentos com números do BRB, ofícios do Banco Central e uma petição escrita por seus advogados explicando o passo a passo da negociação com o Master. Depois de ter sido demitido por Ibaneis do comando do banco público do Distrito Federal, o executivo dizia estar dedicando parte do seu tempo a rever as provas do inquérito e a escrever um livro sobre a crise que o abalou. Ele ainda não tinha escrito o capítulo sobre a sua relação com o ex-governador do Distrito Federal quando foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira.

Costa, segundo a investigação, é suspeito de participar de um “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos”. Ele nega ter praticado qualquer irregularidade. De acordo com a investigação, há suspeita de prática de crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, os investigadores identificaram seis imóveis que teriam sido recebidos como propina pelo ex-presidente do BRB, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em mais de R$ 140 milhões no total.

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