
"Em um mundo acelerado, ele é quase um antídoto", diz crítica de cinema..
Mais um nome brasileiro entra no radar global. O ator Wagner Moura foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da Time, que neste ano tem nomes como Zoe Saldaña, Nikki Glaser e Luke Combs no campo da cultura.
O reconhecimento vem acompanhado de um perfil escrito pelo ator americano Jeremy Strong — e é esse texto que tem puxado a repercussão. Strong parte de uma percepção pessoal para falar do baiano, em vez de listar trabalhos ou revisitar a carreira de forma cronológica.
Ele descreve a experiência de assistir ao ator no Festival de Cannes e o efeito que a atuação provocou, com uma condução que parte de um contexto específico e avança até um plano mais íntimo.
Ao longo do perfil, o astro de Succession combina admiração com observação direta. Na sua leitura, Wagner Moura não se limita a interpretar um papel: ele aparece como uma presença que organiza o que está em cena, conduzindo a narrativa com consciência do que está fazendo e do que quer provocar.
No perfil, Jeremy Strong volta a Cannes para explicar por que aquele momento ficou com ele. “Sentei-me no fundo do teatro e assisti Wagner Moura nos conduzir”, escreve, ao lembrar a experiência durante o festival.
Ele também indica que Moura já era consolidado no Brasil e vinha ampliando seu espaço fora do país, destacando que, no último ano, esse movimento ganhou outra dimensão com o reconhecimento em Cannes.
Strong amplia esse retrato ao mencionar uma fala de Robert De Niro no festival – “fascistas deveriam temer a arte” – para situar o tipo de trabalho que vê em Moura. ele descreve o baiano como alguém que vê liberdade e democracia como construções que exigem ação contínua.
Essa leitura aparece conectada a projetos como Marighella, à passagem recente pelos palcos com uma adaptação de Henrik Ibsen e a trabalhos mais recentes no cinema. Ao comentar esse conjunto, Strong afirma que Moura “não tem medo de usar o poder humanizador e mobilizador da arte”, relacionando essa postura à forma como o ator se envolve com temas que atravessam sociedade e política.
Na entrevista, Moura fala de forma direta sobre o próprio caminho. Ao lembrar a temporada de premiações de O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, ele resume o clima que cercava o filme: “Se viesse um Oscar, ótimo. Se não, a gente já estava ali”.
Em outro momento, ele comenta o impacto de ver Diego Luna atuar sem esconder o sotaque. “Quando você vê isso, entende que dá para ocupar esse espaço sendo quem você é”, diz.
Wagner Moura também volta à formação em jornalismo. “Eu não tinha a distância que a profissão exige”, afirma. Ainda assim, ele reconhece o que ficou: “Aquilo me deu base. Me ensinou a olhar o mundo e, principalmente, a tentar entender o outro. No fim, atuar passa por isso”.
Fora do perfil principal, a revista traz outro registro, mais cotidiano, assinado pela crítica Stephanie Zacharek. Para ela, pequenos detalhes como o vinil e o carro antigo e a pouca presença digital dão ao brasileiro “algo de outra época”.
“Em um mundo acelerado, ele funciona quase como um antídoto”, avalia.
Rio de Janeiro Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, se entrega em delegacia do Rio de Janeiro
Liberdade expressão Após post em rede social, advogada é presa dentro do escritório em GO; entenda o caso
Rio de Janeiro Caso Henry Borel: STF determina o retorno de Monique Medeiros à prisão Mín. 20° Máx. 28°