
Desde antes do anúncio oficial, no pré-mercado, os contratos de petróleo já caiam com força e assim seguiam durante a sessão desta quarta-feira.
O esperado cessar-fogo entre EUA e Irã aconteceu, pelo menos de forma provisória, na noite desta terça-feira (7). A partir de 10 de abril, os termos de acordo definitivo serão negociados entre os países e os ataques diretos foram suspensos, embora continuem em outros alvos do Oriente Médio, como Líbano, Kuwait e Arábia Saudita.
A reação dos mercados internacionais foi de automático alívio. Desde antes do anúncio oficial, no pré-mercado, os contratos de petróleo já caiam com força e assim seguiam durante a sessão desta quarta-feira.
“O derretimento dos preços reflete o acordo temporário de cessar-fogo firmado entre EUA e Irã na noite passada, com os investidores esperando uma retomada da circulação de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da Stonex.
Segundo o especialista, o acordo derrubou prêmios de risco associados à oferta de petróleo no Golfo Pérsico, com os investidores precificando a retomada gradual das exportações da commodity pela região no curtíssimo prazo.
Um dos pontos mais acompanhados desde o início do conflito é a abertura total do Estreito de Ormuz. Como anunciado por Trump, a trégua é e segue condicionada a manutenção do canal com circulação de navios.
Ainda não há informações oficiais sobre a retomada do tráfego, mas há expectativa de que seja realizada com adoção de política de pedágios e taxas de tráfego. As atenções do mercado devem ficar voltadas para a circulação e seu impacto nos preços dos contratos.
“Vale lembrar que cerca de 800 navios seguem travados no Golfo Pérsico, de modo que o cessar-fogo deve aliviar a pressão logística na região e permitir, enquanto o acordo durar, a volta do transporte de commodities energéticas e agrícolas na intersecção entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico”, diz Cordeiro.
Apesar do cessar-fogo ter duração estabelecida de duas semanas, ambas as frentes já afirmaram que seguem preparadas para retomada do conflito a qualquer tempo se as condições não forem respeitadas. Mais cedo nesta quarta-feira, o Irã ameaçou romper o cessar-fogo se Israel seguisse atacando o Líbano.
“Apesar da consolidação do cessar-fogo, existe ainda uma ampla divergência em relação à diversos pontos demandados para o fim da guerra, o que deve dificultar um acordo de paz definitivo”, diz Cordeiro.
O analista destaca que, se o acordo não sair nos próximos dias, é possível que o mercado volte a trabalhar com uma trajetória altista das cotações.
Por outro lado, a consolidação de uma resolução de paz deve estender a queda dos contratos do petróleo e de derivados fósseis, com os riscos logísticos associados ao fluxo do Golfo Pérsico derretendo.
Os mercados globais precisarão de meses para se recuperar do impacto do conflito no Oriente Médio mesmo que um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã seja mantido, disseram especialistas da Oxford Economics nesta quarta-feira.
“O acordo é frágil, os principais detalhes operacionais ainda precisam ser trabalhados e, mesmo na melhor das hipóteses, é provável que os fluxos físicos (de petróleo) se recuperem apenas gradualmente”, disse Bridget Payne, chefe de previsão de petróleo e gás da Oxford Economics, em um webinar.
(com Reuters)
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