
Alesssandro Vieira evita judicialização agora e aposta em negociação, enquanto entorno do presidente do Senado vê cenário “impossível”.
A uma semana do prazo final, a CPI do Crime Organizado entra na reta decisiva sob incerteza sobre sua prorrogação e com o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), tentando destravar uma saída negociada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Vieira afirmou ao GLOBO que mantém conversas com Alcolumbre e terá uma nova rodada de negociação nesta terça-feira, em meio à resistência crescente à extensão dos trabalhos em ano eleitoral.
“Estamos conversando. Tem uma resistência por ser ano eleitoral. Espero ter o trâmite normal. Tenho reunião com o Davi. Estamos ajustando horário”, disse.
O entorno de Alcolumbre avalia como improvável a prorrogação da comissão, que tem prazo para encerrar os trabalhos no próximo dia 14. A leitura é que há pouco espaço político para estender investigações sensíveis em meio ao calendário eleitoral e à pressão de diferentes frentes no Senado.
O cenário também é pressionado pelo acúmulo de pedidos de comissões no Congresso. Hoje, há ao menos seis requerimentos de CPI no Senado — incluindo dois voltados ao caso do Banco Master, um sobre atuação do Judiciário (a chamada “CPI da Toga”), outro sobre abuso de autoridade, além de pedidos envolvendo big techs e uma CPMI também relacionada ao caso Master.
Na avaliação de interlocutores, o volume reforça a tendência de contenção por parte de Alcolumbre, que tem evitado avançar com novas investigações e ampliado o controle sobre a pauta das comissões.
O acúmulo de pedidos também alimenta, nos bastidores, a possibilidade de pressão judicial para forçar a instalação de comissões, como ocorreu na CPI da Covid, quando o Supremo Tribunal Federal determinou a abertura dos trabalhos após resistência da presidência do Senado.
A estratégia não é inédita para o relator da CPI do Crime, Alessandro Vieira, que também é autor do pedido da chamada “CPI da Toga” e recorreu ao Supremo para sua instalação na semana passada.
Ao ser questionado se pretende judicializar a prorrogação da comissão, o senador descarta, ao menos por ora, e indica que pode apostar nas iniciativas já levadas à Corte.
“Não há no nosso radar a hipótese de judicializar. Temos pedidos judicializados de instalação, pode ser uma saída”, afirmou.
Nos bastidores, senadores avaliam que, quanto maior a fila de CPIs represadas, maior tende a ser a pressão para repetir a via judicial.
A reta final da CPI também tem sido marcada por sessões com menor impacto. Nesta terça-feira, a comissão realiza audiência com o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que também era esperado, obteve uma decisão no STF que o desobrigou a comparecer.
Sem depoimentos de maior peso político e com dificuldades para avançar em novas frentes de investigação, a comissão chega aos últimos dias com atuação mais limitada, enquanto a disputa se concentra nos bastidores sobre sua sobrevivência institucional.
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