
Documento elaborado por Roberto Baggio em 2011 apontava falhas estruturais, mas foi ignorado pela federação.
A ausência da Itália em mais uma Copa do Mundo — a terceira consecutiva — não é fruto do acaso, nem de um ciclo ruim pontual. O colapso da tradicional potência europeia tem raízes profundas e antigas, algumas delas já diagnosticadas há mais de uma década em um relatório de 900 páginas elaborado por Roberto Baggio e simplesmente ignorado pela federação italiana.
O documento, apresentado em 2011 após meses de análise, mapeava problemas estruturais no futebol do país e sugeria mudanças para evitar o declínio. Nada foi implementado. O resultado, anos depois, é um cenário de repetidos fracassos, com eliminações traumáticas para seleções como Suécia, Macedônia do Norte e, agora, Bósnia, consolidando o maior jejum da história recente da Azzurra em Copas do Mundo.
Queda da Serie A e perda de protagonismo
Parte da explicação passa pelo enfraquecimento da Serie A nas últimas duas décadas. Clubes que dominaram a Europa nos anos 1990 e 2000 perderam espaço para novas potências financeiras, como PSG, Manchester City e Chelsea. A liga italiana não acompanhou o ritmo de investimento e modernização, refletindo diretamente na qualidade dos jogadores formados e no nível competitivo interno.
Esse declínio impactou a seleção, historicamente construída a partir da força dos clubes locais. A base sólida deu lugar a um sistema menos competitivo e menos capaz de desenvolver talentos de elite, especialmente no setor ofensivo.
Se a Itália ainda mantém tradição em goleiros e defensores, o mesmo não pode ser dito do ataque. A sucessão de nomes históricos — como Baggio, Totti, Del Piero e Inzaghi — não encontrou continuidade. A atual geração carece de protagonistas globais, e os números confirmam a queda de produção.
Na última década, apenas dois italianos foram artilheiros da Serie A. Em contraste, no início dos anos 2000, esse número era significativamente maior. O espaço cada vez mais ocupado por estrangeiros — hoje cerca de 68,5% dos jogadores da liga — também limita o desenvolvimento de talentos locais.
Além disso, há críticas ao modelo de formação de base. Segundo especialistas, jovens são inseridos precocemente em estruturas pouco profissionalizadas, muitas vezes conduzidas por familiares, o que compromete o desenvolvimento técnico e tático.
Outro fator apontado é a dificuldade de adaptação ao futebol moderno. O tradicional catenaccio, marca histórica do futebol italiano, permaneceu enraizado por tempo demais, enquanto outras escolas evoluíram para modelos mais dinâmicos e ofensivos.
A resistência a essa mudança contribuiu para a perda de competitividade internacional, especialmente em um cenário cada vez mais veloz e técnico.
Instabilidade no comando e falta de direção
A sucessão de treinadores também evidencia a ausência de um projeto consistente. Nomes experientes passaram pela seleção, mas sem continuidade ou resultados duradouros. Mesmo conquistas pontuais, como a Eurocopa de 2020, não foram suficientes para mascarar a fragilidade estrutural.
Sem uma linha clara de desenvolvimento, a Itália alterna ideias e modelos sem consolidar uma identidade competitiva.
O relatório de Baggio, hoje visto como um alerta precoce, simboliza o maior erro recente do futebol italiano: reconhecer os problemas, mas não agir. A demissão do ex-jogador, frustrado com a falta de resposta da federação, marcou o abandono de uma oportunidade de reforma profunda.
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