
Três ocasiões especiais marcaram a estreia aberta ao público do espetáculo “Os Mamutes” nesta sexta-feira, 27: a celebração do Dia Mundial do Teatro’, o encerramento do curso de estudantes de Teatro da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a antecipação das comemorações pelos 72 anos do Teatro Atheneu, o mais antigo espaço cênico de Sergipe. A sessão foi realizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), em parceria com a UFS.
Concebido como trabalho de conclusão de curso de alunos de Teatro da UFS, o espetáculo é inspirado no texto “Os Mamutes”, de Jô Bilac, e apresenta uma narrativa distópica que discute os limites da sociedade contemporânea. Na trama, a empresa Mamutes Food cria um sistema extremo de consumo ao transformar pessoas consideradas descartáveis em mercadoria, expondo um universo em que vidas humanas são tratadas como produtos.
Com humor ácido e linguagem provocativa, a peça aborda temas como exclusão social, banalização da violência e a busca por sucesso a qualquer custo, convidando o público a refletir sobre valores, comportamentos e desigualdades da sociedade atual. A montagem reúne elenco e equipe técnica formados majoritariamente por estudantes, que assumem o desafio de levar ao palco uma obra de forte teor crítico e imagético.
Como explica a professora e diretora da peça, Maycira Leão, a apresentação marca um ciclo formativo. “Essa montagem é resultado de uma disciplina que a gente tem na universidade, de montagem teatral. Comecei a fazer teatro aqui no Teatro Atheneu e, para mim, é uma grande honra poder voltar a esse teatro trazendo hoje os meus alunos. Voltei para Aracaju para me tornar professora do curso de Teatro e é um grande prazer, uma grande honra poder estar com os meus alunos aqui”, afirmou.
Para a atriz Laura Souza, o sentimento é de alegria em vivenciar o palco do Atheneu em uma data tão simbólica. “Estou muito feliz de estar aqui hoje no Teatro Atheneu. ‘Os Mamutes’ é uma peça incrível, são todos meus amigos, eu também sou do curso de Teatro Licenciatura UFS e estou maravilhada com essa peça. Eles realmente são ótimos, estou muito feliz de estar aqui, chorei, ri. Foram incríveis”, resumiu.
Aniversário do Teatro Atheneu
A noite também marcou o início das comemorações pelos 72 anos do Teatro Atheneu, conhecido como “a casa do artista sergipano”. Inaugurado em 1954, o teatro é reconhecido como o mais antigo espaço cênico em funcionamento no estado.
Para o diretor do Teatro Atheneu, Kepler Oliva, a casa mantém viva a vocação de acolher diferentes linguagens artísticas. “O Teatro Atheneu é uma casa que sempre foi aberta para o público sergipano, uma casa que teve grandes produções locais, grandes produções nacionais, uma casa que está aberta para o artista, para a dança, para o espetáculo. A gente tem um grande orgulho de fazer parte dessa história aqui do Teatro Atheneu, um monumento, uma casa cultural de grande relevância para a cultura do estado”, destacou.
A agente técnica da Gerência de Cultura (Gecult) da Funcap, Grazzy Coutinho, também formada em Teatro pela UFS, ressaltou o simbolismo da noite ao reunir universidade, poder público e público em torno de uma produção acadêmica. “É uma noite muito importante. Antes de tudo, no Dia do Teatro, abrir espaço para o teatro universitário mostrar a sua cara para a sociedade sergipana, saindo das paredes da universidade, é fundamental. E são 72 anos em que o Teatro Atheneu persiste, existe e acolhe tantas produções, não só sergipanas, como de todo o país. É muito importante que a gente cuide dessa casa, que a gente cuide do teatro sergipano e da nossa cultura local”, avaliou.
Para o ator Romário Fonseca, integrante do elenco de “Os Mamutes”, ocupar o Atheneu é reafirmar a centralidade do espaço para a arte cênica no estado. “É muito importante que nós, como artistas de teatro, possamos estar em um espaço que hoje completa 72 anos, que é o Teatro Atheneu. Essa ocupação é essencial, principalmente pensando no contexto universitário. Hoje já há alguns egressos e é uma maravilha que a gente venha para cá, para um teatro, poder comemorar e mostrar de onde vem a nossa arte, como o trabalho e a construção cênica têm uma importância enorme para toda a sociedade”, afirmou.
Público aprova
Na plateia, o público destacou a força da montagem e o significado de celebrar o Dia Mundial do Teatro em um espaço histórico. A atriz Lívia Melo avaliou a experiência como marcante. “A experiência foi incrível: comemorar o Dia Mundial do Teatro no Teatro Atheneu, que é um teatro histórico daqui de Aracaju, com uma peça universitária maravilhosa que surgiu na universidade e tem um texto com uma crítica social muito relevante e forte. Foi uma experiência maravilhosa.”
A realizadora audiovisual e estudante da UFS Sophia Alcântara destacou o impacto de ver colegas em cena. “É importante, para a gente que é estudante da UFS, ver o quão longe a gente pode chegar e o tanto de pessoas muito talentosas que estão aqui no estado. Estar aqui hoje é ver como o teatro pode trazer crítica, comédia e tantas camadas para a gente ver e pensar sobre o mundo. Isso é algo que só o teatro proporciona”, concluiu.










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