
A Rússia controla cerca de 40% do comércio global desse insumo e responde pela produção de um quarto do volume mundial de nitrato de amônio.
O governo da Rússia anunciou nesta terça-feira (24) a suspensão temporária das exportações de nitrato de amônio pelo período de um mês, com validade até 21 de abril. A medida, divulgada pelo Ministério da Agricultura russo, tem por objetivo garantir o abastecimento interno durante a temporada de plantio da primavera no Hemisfério Norte, priorizando o suprimento aos agricultores locais diante de uma crescente demanda internacional por fertilizantes nitrogenados.
A Rússia controla cerca de 40% do comércio global desse insumo e responde pela produção de um quarto do volume mundial de nitrato de amônio.
A decisão ocorre em um momento de restrição na oferta global, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O Ministério informou que todas as licenças de exportação anteriormente emitidas foram suspensas e que novas autorizações não serão concedidas neste intervalo, com exceção de operações vinculadas a contratos governamentais específicos.
O nitrato de amônio é um componente essencial para o início do ciclo das lavouras. Embora a Rússia já mantivesse limites de exportação desde 2021, a interrupção total das vendas externas neste período reflete a impossibilidade de aumentar a produção nacional no atual cenário de crise gerada pelo conflito no Irã. O país é um fornecedor estratégico para mercados como o Brasil, que agora deve enfrentar ainda maior volatilidade nos preços e dificuldades logísticas para garantir a nutrição das culturas nesta safra.
Agricultores dos EUA pressionam
Nos Estados Unidos, uma coalizão composta por mais de 50 grupos de produtores estaduais e oito organizações nacionais enviou uma carta ao Departamento de Comércio pedindo a revogação das tarifas compensatórias (CVDs) sobre as importações de fertilizantes fosfatados provenientes do Marrocos e da Rússia.
A iniciativa, liderada por entidades como a Associação Americana de Soja (ASA) e a Associação Nacional dos Produtores de Milho (NCGA), ocorre no momento em que as taxas passam por uma revisão periódica obrigatória.
De acordo com comunicados divulgados pelas duas associações à imprensa, a manutenção desses impostos limita as opções de fornecimento e agrava as dificuldades econômicas enfrentadas pelos agricultores norte-americanos, que já lidam com margens estreitas e volatilidade nos mercados globais.
As tarifas foram originalmente implementadas em 2020, após uma petição da Mosaic Company, apoiada pela empresa J.R. Simplot, alegando que subsídios estrangeiros desleais prejudicavam a indústria doméstica. Entretanto, as entidades agrícolas argumentam que a medida permitiu que um pequeno grupo de corporações influenciasse os preços ao restringir a concorrência no mercado interno.
O impacto financeiro é um dos principais argumentos da coalizão. Em 2025, os fertilizantes chegaram a representar 40% dos custos operacionais de muitas fazendas nos EUA.
O presidente da ASA, Scott Metzger, destacou que o insumo é essencial para o cultivo de soja e que taxas que encarecem a produção dificultam a viabilidade do agronegócio. “Precisamos de acesso a fertilizantes confiáveis e acessíveis para permanecermos competitivos e continuarmos produzindo para clientes locais e estrangeiros”, afirmou Metzger.
O setor ressalta, ainda, que o cenário de oferta piorou nas últimas semanas por causa do conflito no Oriente Médio, que afetou fluxos logísticos e preços internacionais. A expectativa das organizações é que o Departamento de Comércio e a Comissão de Comércio Internacional (ITC) levem em conta a situação dos produtores rurais durante a revisão das tarifas para restaurar o equilíbrio no mercado de insumos.
Internacional Importações de diesel da Rússia e EUA aumentam com fechamento de Ormuz
Internacional Conheça países da América Latina que reduziram as jornadas de trabalho
Internacional Secretário de Estado dos EUA diz que “fase ofensiva” da guerra com o Irã acabou. Mín. 20° Máx. 27°