
Movimento da ex-primeira-dama divide aliados às vésperas de decisão sobre Bolsonaro.
A visita de Michelle Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), expôs divergências dentro do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um momento decisivo sobre o pedido de prisão domiciliar. A apuração é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
A ex-primeira-dama optou por ir sozinha ao encontro, sem a presença de advogados ou aliados políticos, o que provocou desconforto entre integrantes do grupo.
A audiência ocorreu no gabinete do ministro, em Brasília, com a participação da chefe de gabinete de Moraes, Cristina Gomes. Durante a conversa, Michelle apresentou argumentos relacionados ao estado de saúde do ex-presidente, internado após um quadro de pneumonia decorrente de broncoaspiração.
Segundo relatos obtidos pela coluna, Michelle destacou a necessidade de cuidados contínuos e afirmou que Bolsonaro não poderia permanecer sozinho durante a noite, devido ao risco de novos episódios de broncoaspiração. A iniciativa buscou reforçar o pedido já apresentado formalmente pela defesa.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou na segunda-feira (23) a favor da concessão da prisão domiciliar, o que elevou a expectativa entre aliados de uma decisão favorável por parte do STF.
A forma como a visita foi conduzida gerou críticas dentro do próprio campo bolsonarista. Aliados interpretaram a ausência de advogados e familiares como um gesto político individual, em um processo que vinha sendo tratado de forma institucional pela equipe jurídica.
A comparação mais recorrente foi com a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou de reunião com Moraes acompanhado por advogados e na condição formal de integrante da defesa do ex-presidente.
O ministro Alexandre de Moraes é responsável por analisar o pedido de mudança de regime. A decisão pode ser tomada nas próximas horas, em meio à avaliação dos laudos médicos e do parecer da PGR.
Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado e cumpria pena no sistema prisional antes de ser transferido para um hospital em 13 de março. Nesta segunda-feira (23), ele deixou a UTI, mas segue sob cuidados médicos.
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