
Líder norte-coreano descarta desarmamento por ajuda econômica e define Coreia do Sul como o Estado mais hostil;
SEUL, 24 Mar (Reuters) – O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, disse que seu país fortalecerá permanentemente suas forças nucleares e tratará a Coreia do Sul como seu Estado mais hostil, ao definir as prioridades políticas em um discurso ao Parlamento, informou a mídia estatal KCNA nesta terça-feira.
Kim disse que o status de Pyongyang como um Estado com armas nucleares é irreversível e que a expansão de uma ‘dissuasão nuclear autodefensiva’ é essencial para a segurança nacional, a estabilidade regional e o desenvolvimento econômico.
Ele rejeitou a ideia de que o desarmamento nuclear poderia ser trocado por benefícios econômicos ou garantias de segurança, dizendo que a Coreia do Norte já provou que manter as forças nucleares enquanto buscava o desenvolvimento é a escolha estratégica correta.
‘A realidade mundial atual, em que a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são impiedosamente violados pela força e violência unilaterais, ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um Estado’, disse Kim no discurso de segunda-feira à Assembleia Popular Suprema, o órgão legislativo do país comunista.
As armas nucleares impediram a guerra e permitiram que o Estado concentrasse recursos no crescimento econômico, na construção e nos padrões de vida, acrescentou.
Analistas na Coreia do Sul disseram que os comentários equivaliam a uma crítica indireta à ação militar dos Estados Unidos contra o Irã.
‘Essas circunstâncias reforçaram o argumento de longa data de Pyongyang de que as armas nucleares são essenciais para impedir a intervenção externa e garantir a sobrevivência do regime’, disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos da Coreia do Norte.
Kim acusou ainda os Estados Unidos e seus aliados de desestabilizarem a região ao instalarem recursos nucleares estratégicos perto da península coreana, mas disse que a Coreia do Norte não se via mais como um país ameaçado e que possuía o poder de ameaçar os outros, se necessário.
Kim disse que a Coreia do Sul foi ‘reconhecida como o Estado mais hostil’ e advertiu Seul de que qualquer tentativa de infringir a soberania da Coreia do Norte será enfrentada ‘impiedosamente, sem hesitação ou restrição’.
Os comentários são o sinal mais recente do endurecimento da postura de Pyongyang em relação a Seul, desde que Kim abandonou décadas de política que buscava a reunificação pacífica e passou a redefinir as relações com o Sul como sendo entre dois Estados hostis.
Os analistas estão atentos a qualquer sinal de que essa mudança tenha sido codificada em lei. O relato da mídia estatal não entrou em detalhes.
Lim Eul-chul, da Universidade de Kyungnam, disse que a linguagem ‘efetivamente retira da Coreia do Sul qualquer status remanescente de nação compatriota’ e vai além da retórica passada que visava isolar Seul diplomaticamente.
Em vez disso, ela marcou uma ‘declaração negando a própria legitimidade da Coreia do Sul como contraparte’, disse ele.
A Casa Azul, sede da Presidência da Coreia do Sul, disse nesta terça-feira que os comentários de Kim são ‘indesejáveis para a coexistência pacífica’, acrescentando que somente o diálogo e a cooperação podem garantir a segurança mútua e a prosperidade na península coreana, informou a agência de notícias Yonhap.
(Reportagem de Kyu-seok Shim)
Internacional Importações de diesel da Rússia e EUA aumentam com fechamento de Ormuz
Internacional Conheça países da América Latina que reduziram as jornadas de trabalho
Internacional Secretário de Estado dos EUA diz que “fase ofensiva” da guerra com o Irã acabou. Mín. 19° Máx. 26°