
Juros elevados, crédito mais caro e alto comprometimento da renda das famílias seguem punindo as compra no varejo.
Divulgada nesta quarta-feira (18), a segunda leitura do Índice do Varejo Stone (IVS) de 2026, estudo que acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país, reafirmou um início de ano mais fraco para o setor. As vendas do comércio brasileiro recuaram 3,1% em fevereiro, segundo o índice. Na comparação anual, o volume de vendas também apresentou retração, de 2,2%.
“Os recuos indicam que o varejo começou 2026 em um patamar inferior ao observado no ano passado, que já havia sido desafiador para a atividade. Apesar de o mercado de trabalho seguir bastante resiliente, com desemprego próximo das mínimas históricas e avanço da renda, o consumo continua pressionado por um ambiente financeiro restritivo”, avalia Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.
Para Freitas, enquanto algumas condições persistirem, como juros reais elevados, crédito mais caro e um nível historicamente alto de comprometimento da renda das famílias com dívidas, o varejo tenderá a apresentar resultados mais moderados, mesmo diante de um cenário ainda favorável para emprego e renda.
No recorte mensal, todos os oito segmentos analisados apresentaram retração em fevereiro. A maior queda foi registrada em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (17,9%), seguida por Combustíveis e Lubrificantes (6,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (5,3%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (3,3%), Móveis e Eletrodomésticos (3,2%), Material de Construção (2,8%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,3%) e Artigos Farmacêuticos (1,6%).
Na comparação anual, apenas dois dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento: Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,5%) e Artigos Farmacêuticos (1,7%), categorias ligadas a bens mais essenciais, cuja demanda é mais sensível à renda das famílias e menos às condições do mercado de crédito.
Entre os setores com retração, a maior queda foi registrada em Tecidos, Vestuário e Calçados (11,3%), seguida por Móveis e Eletrodomésticos (8,1%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (5,2%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (5%), Combustíveis e Lubrificantes (3,9%) e Material de Construção (1,5%).
No recorte regional, sete estados apresentaram crescimento na comparação anual. O maior avanço foi registrado no Acre (10,8%), seguido por Roraima (4,7%), Amapá (4,1%), Pará (2,4%), Sergipe e Santa Catarina (0,8%) e Pernambuco (0,1%).
Entre 20 estados com retração nas vendas, os piores resultados foram observados no Amazonas (7,1%), Espírito Santo (7%), Distrito Federal (6,3%), Rio Grande do Sul (6%), Minas Gerais (5,5%), Rondônia (5,4%), Bahia (4,5%), Tocantins (4,4%), Paraná e Rio de Janeiro (2,5%), Mato Grosso do Sul (2,3%), Maranhão (2,2%), São Paulo (2%), Ceará (1,5%), Goiás e Paraíba (0,7%), Rio Grande do Norte e Alagoas (0,6%), Mato Grosso (0,4%) e Piauí (0,2%).
“O relatório mostra que, embora alguns estados tenham conseguido registrar avanço nas vendas, o movimento de desaceleração do consumo ainda é predominante. Observamos desempenhos positivos principalmente em parte da região Norte, enquanto estados do Sudeste e do Sul registraram mais retrações intensas. Esse quadro reforça que o ambiente de crédito mais restritivo e o nível elevado de endividamento das famílias continuam limitando o ritmo de recuperação do consumo em diversas regiões do país”, avalia Freitas.
Mercado Ouro fecha em alta com recompras técnicas em dia de avanço de metais
Mercado Trump exibe nova nota de US$ 100 com assinatura presidencial inédita
Mercado Caso do Grupo Mateus reacende riscos tributários para varejistas e farmacêuticas Mín. 19° Máx. 25°