
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a impactar os mercados globais e domésticos, elevando a aversão ao risco e pressionando ativos brasileiros. Na última semana, a bolsa caiu com força, enquanto o dólar atingiu o maior nível desde o início do conflito. Esse movimento reflete, segundo o economista e professor da FGV Nelson Marconi, um cenário de “bastante incerteza”.
“O cenário é de bastante incerteza. Isso gera uma incerteza geopolítica que afeta todos os mercados produtivos, financeiros e as pessoas tendem a assumir posições mais conservadoras”, afirmou.
Nesse contexto, Marconi explica que a tendência é de maior volatilidade nos mercados, com oscilações frequentes nas bolsas e juros mais elevados. “A tendência é ter juros mais altos, ter bolsas caindo, oscilando muito, gerando ganhos e perdas de curto prazo”, disse.
A deterioração do ambiente externo também traz impacto direto sobre a inflação, principalmente por meio do petróleo. “A gente pode ter um impacto na inflação em função do aumento do preço dos petróleos”, afirmou, destacando que medidas recentes do governo para reduzir a alíquota de importação de combustíveis foram “na direção correta”, mas insuficientes para neutralizar totalmente a pressão inflacionária.
Esse quadro adiciona incerteza à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nesta semana. Para o economista, o Banco Central pode rever a sinalização anterior de queda de juros, a depender da evolução do conflito. “Se ela tender a se estender, a probabilidade do Banco Central também rever essa trajetória de queda é razoável”, disse.
Marconi avalia ainda que o choque atual tem características típicas de oferta, quando o aumento de custos, como o do petróleo, pressiona os preços. Nesse cenário, o efeito da política monetária é limitado. “Subir os juros tem um impacto muito marginal no preço do petróleo, mas vai atacar de novo outros preços”, afirmou.
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