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STF retoma julgamento que pode condenar deputados por corrupção em emendas.

STF retoma julgamento que pode condenar deputados por corrupção em emendas.

17/03/2026 às 10h16
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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STF retoma julgamento que pode condenar deputados por corrupção em emendas.

STF retoma julgamento que pode condenar deputados por corrupção em emendas.

 

Denúncia da PGR envolve parlamentares do Maranhão acusados de irregularidades no uso dos recursos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira o julgamento da primeira ação penal que pode resultar na condenação de deputados federais por corrupção relacionada a emendas parlamentares. A Primeira Turma da Corte analisa o caso envolvendo os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), acusados de integrar um esquema de cobrança de propina em troca da destinação de recursos do orçamento.

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O voto do relator, ministro Cristiano Zanin, abre a nova etapa da análise. Depois dele, devem se manifestar os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente do colegiado. Ministros ouvidos pelo GLOBO afirmam que a expectativa é que o julgamento seja concluído ainda na sessão desta terça-feira.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e sustenta que, entre janeiro e agosto de 2020, os parlamentares solicitaram a um prefeito do interior do Maranhão o pagamento de R$ 1,7 milhão em propina em troca do envio de cerca de R$ 6,7 milhões em emendas parlamentares ao município. Segundo a acusação, o grupo teria estruturado um esquema de “comercialização” de emendas.

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A PGR afirma que a organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho e aponta trocas de mensagens entre os investigados sobre o direcionamento de recursos para municípios. Em uma das conversas citadas na denúncia, Pastor Gil pergunta quais cidades deveriam receber emendas, e Josimar responde que havia destinado R$ 1,048 milhão para São José de Ribamar. As defesas negam irregularidades.

Nas primeiras sessões do julgamento, realizadas na semana passada, o subprocurador-geral Paulo Vasconcelos Jacobina defendeu a condenação dos parlamentares, afirmando que as condutas investigadas têm “elevada gravidade”.

O representante da PGR destacou, por exemplo, que a atuação do grupo investigado não se restringiu à prefeitura de São José de Ribamar — caso específico sob análise. Segundo ele, o “aliciamento e cobrança” de valores para liberação de emendas “em municípios diversos” levou à abertura de outras apurações em curso na Corte.

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, a organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho, posição que seria comprovada por trocas de mensagens entre ele e os outros deputados acusados sobre o direcionamento de emendas. Em dezembro de 2019, por exemplo, Pastor Gil consultou Josimar sobre quais municípios deveriam receber emendas. “Dei 1.048.000 para São José de Ribamar”, foi a resposta.

Em dezembro de 2021, o GLOBO mostrou trechos de vídeos gravados em ação controlada da Polícia Federal nos quais o deputado Josimar Maranhãozinho entrega uma caixa de dinheiro a um aliado. As imagens foram feitas no âmbito da Operação Descalabro, dentro de um segundo inquérito em que Maranhãozinho é investigado, também por desvios de recursos públicos.

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