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Flávio enfrenta resistência no agro, que testa viabilidade de Caiado e Ratinho Júnior.

Flávio enfrenta resistência no agro, que testa viabilidade de Caiado e Ratinho Júnior.

17/03/2026 às 09h37
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Flávio enfrenta resistência no agro, que testa viabilidade de Caiado e Ratinho Júnior.

Flávio enfrenta resistência no agro, que testa viabilidade de Caiado e Ratinho Júnior.

 

Setor mantém cautela com candidatura do senador e observa alternativas na direita; em Goiás, governador extingue 'taxa do agro' e reforça gestos.

Um dos pilares do governo de Jair Bolsonaro, o agronegócio resiste a aderir à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e repetir o alinhamento com o bolsonarismo observado a partir de 2018. Nos bastidores da bancada ruralista e entre lideranças do setor produtivo, o ambiente é de cautela: parte do grupo prefere aguardar maior clareza sobre o desenho da disputa na direita antes de assumir compromisso com o filho do ex-presidente.

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A hesitação contrasta com o engajamento na campanha de 2022, quando o apoio a Bolsonaro foi majoritário no setor. Parlamentares e interlocutores do agronegócio dizem que o cenário atual é mais fragmentado e que produtores passaram a avaliar diferentes alternativas antes de fechar posição.

Parte dessa cautela está ligada à decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de permanecer no cargo e se manter fora da corrida presidencial. Entre produtores e parlamentares do agro, ele era visto como o nome com maior capacidade de unificar a direita e dialogar simultaneamente com o mercado financeiro e com o eleitorado conservador.

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Um parlamentar com trânsito no setor defende que Flávio “não seria o nome adequado para um país moderno”. A avaliação é que Tarcísio seria o nome ideal para se opor ao PT no pleito deste ano, e não o senador. Mas o integrante da bancada do agronegócio pondera que, ainda pior do que estar com Flávio, é o governo petista, que não “respeita propriedades rurais, não prioriza a segurança e não transmite confiança para baixar juros”.

Esse cenário tem alimentado a discussão sobre a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial de Flávio. Ex-ministra da Agricultura e uma das principais referências do agronegócio no Congresso, Tereza passou a ser vista por interlocutores do PL como um nome capaz de ajudar a reduzir a resistência do setor à pré-candidatura do senador. A avaliação dentro do partido é que sua presença na chapa funcionaria como um selo de credibilidade junto ao agro. Junto ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a senadora é um dos nomes mais defendidos internamente.

Entre lideranças do próprio setor, porém, a ideia é recebida com cautela. Interlocutores do agronegócio avaliam que Tereza tem hoje mais chances de exercer influência caso dispute a presidência do Senado a partir de 2027. A leitura predominante é que envolvê-la diretamente em uma campanha presidencial poderia expor a senadora ao desgaste de uma eventual derrota eleitoral, enquanto o comando do Senado ampliaria o peso político do segmento no centro das decisões do Congresso. A própria Tereza tem evitado alimentar as especulações:

— Eu acho que o Flávio, por enquanto, sozinho, já mostrou que tem musculatura. Vice é uma das últimas escolhas que se faz numa campanha eleitoral e depende de muitos fatores, como os partidos que vão coligar. Tenho certeza de que ele vai escolher o melhor nome para que tenha sucesso — afirmou a senadora.

Opção na direita

Sem Tarcísio no horizonte eleitoral, nomes como o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), passaram a aparecer com mais frequência nas conversas. Médico e pecuarista, Caiado construiu parte de sua trajetória política no movimento ruralista e mantém relação histórica com entidades do agronegócio.

No comando de Goiás, estado em que a produção agropecuária tem peso central na economia, o governador também buscou reforçar gestos ao setor ao propor mudanças na contribuição de produtores para o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido entre ruralistas como “taxa do agro”.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou um projeto do Executivo que extingue a contribuição dos produtores ao fundo. A proposta também transfere para a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) a responsabilidade por obras e contratos vinculados ao Fundeinfra e foi acompanhada de outra iniciativa que cancela multas aplicadas a pecuaristas em operações de venda de gado.

Em outro movimento, foram criadas também linhas de crédito e programas de apoio a segmentos da produção rural, como a cadeia do leite. Interlocutores do setor também citam a presença frequente de Caiado em feiras e eventos do agronegócio como um fator que mantém o governador próximo das principais lideranças rurais.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), por sua vez, também é citado como alternativa por parlamentares ligados ao campo. Em seu segundo mandato, ele tem ampliado programas voltados à infraestrutura rural, como projetos de expansão da rede elétrica para propriedades agrícolas e iniciativas de conectividade no campo, além de políticas de crédito destinadas à produção agropecuária.

Diferentemente de Flávio, que ainda tenta consolidar pontes com o setor, Caiado e Ratinho chegam ao debate com a vantagem de governar estados onde o agronegócio ocupa posição central na economia local, o que fortalece a interlocução direta com produtores e entidades do setor.

Apesar disso, aliados de Flávio dentro da própria bancada ruralista argumentam que o senador reúne credenciais para herdar parte do capital político do bolsonarismo no campo. O deputado Evair de Melo (PP-ES), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que a agenda associada ao senador dialoga diretamente com demandas históricas do setor.

— Segurança jurídica, respeito à propriedade privada, rigor na economia e gastos reduzidos fazem sim do Flávio o escolhido. Caiado também é muito querido e respeitado. No momento certo, confio que a direita vai se unificar, seja no primeiro ou no segundo turno — disse.

Nos bastidores da bancada ruralista, porém, a leitura predominante é de cautela. Parlamentares relatam que parte do setor ainda demonstra desconfiança sobre a capacidade de Flávio de funcionar como um nome aglutinador fora do núcleo bolsonarista.

Integrantes da bancada ruralista, contudo, apontam que a definição de apoios dependerá da consolidação das candidaturas nos próximos meses. Há quem veja o governador Ratinho Júnior como um nome competitivo caso confirme candidatura pelo PSD, enquanto outros lembram que particularidades regionais podem dificultar um alinhamento automático de partidos com forte presença na bancada ruralista.

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