
O governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES), consolidou nos últimos anos um conjunto de políticas inovadoras voltadas a públicos historicamente não contemplados em suas especificidades pela rede de atenção: mulheres, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e idosos considerados frágeis ou com diagnóstico de demência.
Os programas SERMulher RS, TEAcolhe e Saúde 60+ RS representam marcos na estruturação de serviços especializados regionais e integram a estratégia estadual de ampliar o acesso, qualificar o cuidado e reduzir desigualdades entre territórios.
As três iniciativas compartilham características centrais: atuação regionalizada, financiamento específico, articulação direta com a atenção primária à saúde (APS) e foco em linhas de cuidado definidas, com metas assistenciais e monitoramento contínuo.
“Esses programas buscam aproximar os serviços especializados da população, especialmente para aquelas situações que extrapolam a complexidade de atendimento da atenção primária à saúde”, explicou a diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde (Dapps), Marilise Fraga de Souza.

Avanço integrado em políticas públicas
Com os programas TEAcolhe, SERMulher RS e Saúde 60+ RS, o governo do Estado implementa um movimento de modernização e regionalização da saúde pública, com foco em acesso, qualidade e segurança do cuidado. As três iniciativas atendem públicos de grande sensibilidade social, qualificam fluxos assistenciais e ampliam a capacidade de diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo.
A expectativa da SES é que, com a consolidação desses serviços, o Rio Grande do Sul avance na redução das desigualdades regionais e fortaleça a rede de atenção especializada, garantindo um cuidado integral mais próximo de seus territórios.

Primeira política estadual exclusiva para saúde da mulher
Lançado em dezembro de 2024, o SERMulher RS representa a primeira ação estadual dedicada exclusivamente às linhas de cuidado da saúde da mulher. O programa contempla a criação de ambulatórios especializados regionais com capacidade para diagnóstico e tratamento em áreas como câncer de colo do útero e mama, endometriose, adenomiose, miomatose uterina, infertilidade, climatério e planejamento reprodutivo.
Investimento e funcionamento
Cada serviço recebe R$ 200 mil para implantação, além de R$ 125 mil mensais para custeio. O investimento total anual é de R$ 30 milhões. A capacidade mensal de atendimento por unidade é de:
140 consultas médicas
216 consultas multiprofissionais
645 exames e procedimentos
O programa prevê até 20 serviços, distribuídos pelas 18 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS), com algumas regiões recebendo duas unidades devido ao volume populacional.
Navegador em saúde
Um dos elementos inovadores do programa é a presença do navegador em saúde, profissional responsável por acompanhar cada paciente desde o primeiro atendimento. Ele orienta sobre encaminhamentos, organiza fluxos e ajuda a reduzir o tempo entre diagnóstico e início do tratamento – especialmente para câncer de mama e de colo do útero, doenças altamente sensíveis à agilidade na linha de cuidado.
Cobertura regional
A previsão é que 20 serviços sejam criados. Até o momento, já são 19 localidades selecionadas e 16 com unidade em funcionamento. Os serviços contemplam todas as regiões do Estado. Cada ambulatório é referência para dezenas de municípios, ampliando o acesso de mulheres que antes precisavam percorrer longas distâncias para obter diagnósticos especializados. Ao longo de 2025, ano inicial do programa, já foram feitas 39.145 consultas.

Experiência do SERMulher em Teutônia
Em abril de 2025, no Hospital Ouro Branco, de Teutônia, no Vale do Taquari, foi inaugurado o segundo serviço do SERMulher RS. “Fomos em busca da implantação do programa com o objetivo de oferecer atendimento ambulatorial especializado, ampliando o acesso das mulheres”, contou a gerente assistencial da entidade, Taila Anschau.
“A implantação do serviço possibilitou qualificar a assistência e agilizar o acesso a diagnósticos e tratamentos em tempo oportuno, fortalecendo a rede pública de atenção à saúde da mulher”, destacou.
Até o momento, já foram realizadas no hospital mais de 1,5 mil consultas médicas nas especialidades de ginecologia e mastologia, além de atendimentos conduzidos por equipe multidisciplinar, fortalecendo a abordagem integral no cuidado às pacientes.
No mesmo período, foram realizados mais de 500 exames diagnósticos, contribuindo para a qualificação da investigação clínica e para a tomada de decisões terapêuticas em tempo oportuno. Entre as principais demandas assistenciais destacam-se os atendimentos relacionados a nódulo mamário e a pólipo do trato vaginal.
Entre os exames mais frequentemente realizados estão a ecografia transvaginal e a ecografia mamária, que desempenham papel fundamental na detecção precoce de alterações ginecológicas e mamárias, contribuindo para o diagnóstico e encaminhamento adequado das pacientes dentro da rede de atenção à saúde.

Estruturação inédita da rede para pessoas com autismo
O TEAcolhe consolida uma rede estadual de atenção especializada às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), articulada com a APS e organizada por níveis regionais de referência. Criado com base na Política Estadual de Atendimento Integrado à Pessoa com TEA (Lei 15.322/2019) e transformado em política pública permanente em dezembro de 2025, o programa garante acesso ao diagnóstico, a terapias e ao acompanhamento durante todo o ciclo de vida, com foco também no suporte às famílias e na inclusão.
Escala dos atendimentos e financiamento
Ao longo do ano passado, os centros de atendimento em saúde (CAS) do TEAcolhe realizaram 675 mil atendimentos, com média superior a 7 mil usuários por mês. Em janeiro deste ano, foram registrados 61 mil atendimentos e 8,1 mil usuários.
Desde 2021, os investimentos no TEAcolhe somam R$ 149 milhões, alavancando a implantação e a qualificação de serviços regionais. A rede atualmente conta com 70 CASs em funcionamento, além de 28 centros regionais de referência (CRR) e sete centros macrorregionais de referência (CMR).

Como acessar
A atenção primária é a porta de entrada para o TEAcolhe. As unidades básicas de saúde identificam sinais de TEA ou a necessidade de acompanhamento e encaminham o usuário via Gercon (sistema de gerenciamento de consultas do Estado) para a reabilitação intelectual, direcionando os casos aos CASs. São atendidos crianças, adolescentes e adultos com diagnóstico confirmado ou com suspeita de TEA. O objetivo é oferecer uma trajetória de cuidado contínua, desde a investigação diagnóstica até o tratamento e o acompanhamento multiprofissional.

Contexto clínico e foco em inclusão
O TEA é um transtorno relacionado ao neurodesenvolvimento e é caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social, bem como por comportamentos e interesses restritivos e repetitivos. O diagnóstico é clínico e a classificação em níveis de suporte (I, II e III) orienta a intensidade do cuidado necessário – que pode variar de pequenas dificuldades de socialização à dependência de apoio ao longo da vida.
A prevalência global estimada é de 1 em cada 36 crianças, embora varie entre estudos e siga subnotificada em muitos países de baixa e média renda. Nesse cenário, o TEAcolhe fortalece o acesso ao diagnóstico precoce, amplia a oferta de terapias especializadas e valoriza o suporte às famílias, pilares essenciais para a inclusão.

Atenção especializada para idosos frágeis e com demência
O Programa Saúde 60+ RS, instituído em 2025, expande o atendimento especializado às pessoas com 60 anos ou mais que apresentem fragilidade funcional ou diagnóstico/suspeita de demência. Para a identificação, é utilizada a avaliação multidimensional da pessoa idosa.
O propósito do serviço é promover a melhora da funcionalidade, da qualidade de vida e do suporte familiar da pessoa idosa, além de contribuir para o manejo de situações complexas. Também se busca fortalecer a construção de um cuidado compartilhado com a atenção primária, garantindo uma abordagem integrada e eficiente.
A avaliação multidimensional inclui o índice de vulnerabilidade clínico funcional (IVCF-20). Idosos com pontuação igual ou superior a 15 pontos são considerados frágeis e têm acesso prioritário ao serviço.
A meta estadual é implantar 20 centros regionais. Até agora, 15 locais foram habilitados e 13 já estão em funcionamento: Novo Hamburgo, Igrejinha, Tenente Portela, Pelotas, Santiago, Caxias do Sul, Marau, Cachoeira do Sul, Estação, Santa Rosa, Sarandi, Lajeado e Panambi. Já os serviços localizados em Cruz Alta e Santo Ângelo estão em fase final de implantação.

Acesso e financiamento
Cada serviço recebe, conforme composição da equipe, incentivo mensal de R$ 120 mil ou R$ 130 mil para custeio. O encaminhamento é feito pelas UBSs, via Gercon. Pessoas com demência também podem ser encaminhadas ao serviço. Os centros estão distribuídos em todas as regiões do Estado e mais quatro coordenadorias regionais de saúde estão em fase final de seleção de prestadores, entre elas a 7ª, a 10ª, 13ª e 18ª CRE.

Texto: Ascom SES
Edição: Secom
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