
Bebê de 6 meses contrai infecção importada e alerta autoridades sobre importância da vacinação para manter país livre de casos autóctones registrados desde 2022.
O Estado de São Paulo registrou o primeiro caso de sarampo de 2026. A infecção foi confirmada na capital paulista, em uma menina de 6 meses de idade.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), trata-se de um caso importado, já que o bebê esteve na Bolívia em janeiro deste ano. A detecção foi notificada à pasta em fevereiro e teve confirmação por exames laboratoriais neste mês.
Em 2025, foram registrados dois casos importados da doença no Estado, e 38 no País.
De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o Brasil não registra casos autóctones – quando a infecção ocorre dentro do próprio país – desde junho de 2022. De lá para cá, todos os casos foram importados.
No cenário global, os casos de sarampo estão em crescimento. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a região das Américas contabilizou 14.891 casos confirmados da doença em 2025, incluindo 29 óbitos, um aumento de 32 vezes em comparação com os 466 casos notificados em 2024. Os países com mais registros foram México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242).
“É inevitável que pessoas com sarampo entrem no Brasil ou que brasileiros que viajam para fora voltem infectados, caso não estejam vacinados. Então, nosso dever de casa é vacinar todo mundo para manter a situação epidemiológica que conquistamos”, destaca Kfouri.
Em nota, a SES-SP afirma que “monitora continuamente o cenário epidemiológico do sarampo” e reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção.
O esquema básico de imunização é composto por duas doses. Em crianças, a primeira é aplicada aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 meses. Geralmente, é utilizada a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O imunizante está disponível gratuitamente na rede pública.
“O sarampo é uma doença altamente transmissível. Um caso pode gerar outros 16. Então, a manutenção da vacinação é altamente importante”, reforça o médico.
Ele explica que mais da metade dos casos ocorre em crianças com menos de 12 meses, que ainda não podem se vacinar, e a vacinação dos demais ajuda a protegê-las. “Isso vai proteger tanto quem toma a vacina quanto, de forma indireta, quem ainda não pode se imunizar por conta da idade ou por ter alguma doença autoimune.”
Crianças devem receber a primeira dose aos 12 meses de idade (tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola) e a segunda aos 15 meses (tetraviral, contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
Caso não tenham sido imunizadas, pessoas de 5 a 29 anos devem tomar duas doses da vacina, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, e pessoas de 30 a 59 anos devem receber uma dose.
Trabalhadores da saúde devem ter duas doses da vacina tríplice viral, independentemente da idade.
O sarampo é uma doença causada por um vírus do gênero Morbillivirus. A transmissão ocorre por via respiratória, assim como a covid-19, a gripe e outras infecções virais.
Os sintomas iniciais costumam ser parecidos com os de uma gripe: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar. Depois de alguns dias, surgem manchas vermelhas pelo corpo, a principal marca da doença.
Algumas das complicações correlatas são pneumonia, infecção no ouvido e inflamação no cérebro. Especialmente entre crianças, a doença pode levar à morte.
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