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Instalação do Museu de História Julio de Castilhos transforma escadaria da Praça da Matriz em memorial às vítimas de feminicídio

Uma intervenção artística nesta quarta-feira (11/3), na escadaria do Monumento a Julio de Castilhos, na Praça da Matriz, em Porto Alegre, transform...

11/03/2026 às 15h43
Por: Redação Fonte: Secom RS
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Com foco em dar visibilidade à luta contra o feminicídio, a ação está alinhada às políticas públicas do Estado sobre o tema -Foto: Secom
Com foco em dar visibilidade à luta contra o feminicídio, a ação está alinhada às políticas públicas do Estado sobre o tema -Foto: Secom

Uma intervenção artística nesta quarta-feira (11/3), na escadaria do Monumento a Julio de Castilhos, na Praça da Matriz, em Porto Alegre, transformou o espaço público em um memorial temporário para mulheres vítimas de violência. Intitulada “História que sangra – do documento à presença/ausência”, a ação é promovida pelo Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), no contexto do Mês da Mulher. A instalação chama atenção para o crescimento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul.

Com foco em dar visibilidade à luta contra o feminicídio, a ação está alinhada às políticas públicas do governo do Estado sobre o tema. Na terça-feira (10/3), no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite lançou o Programa Estadual de Proteção e Promoção dos Direitos das Mulheres, iniciativa que reúne um conjunto de ações para fortalecer a rede de proteção, prevenir a violência e promover a autonomia feminina no Rio Grande do Sul.

O programa prevê investimento de R$ 71 milhões em novas ações, organizadas em quatro eixos estratégicos: governança, acolhimento, capacitação e desenvolvimento e enfrentamento à violência.

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Instalação utiliza moldes de luvas cirúrgicas, material que remete tanto ao cuidado quanto à investigação -Foto: Doris Couto/Divulgação MHJC
Instalação utiliza moldes de luvas cirúrgicas, material que remete tanto ao cuidado quanto à investigação -Foto: Doris Couto/Divulgação MHJC

Sobre a intervenção artística

No centro da escadaria, foram instaladas 80 mãos em gesso, representando as 80 mulheres vítimas de feminicídio registradas no Estado em 2025. Ao lado delas, mãos pretas, em sinal de luto recente, simbolizarão as mulheres assassinadas em 2026 até a data da montagem. Concebida por servidoras e estagiárias do Museu, a instalação utiliza moldes de luvas cirúrgicas, material que remete tanto ao cuidado quanto à investigação – evocando a preservação da memória e, ao mesmo tempo, a dimensão de violência presente nos casos.

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Segundo a museóloga e coordenadora da ação, Doris Couto, a intervenção nasce do compromisso institucional do MHJC com a reflexão sobre a história e suas permanências no presente. “O Museu preserva memórias. Quando mulheres são assassinadas, o que se perde não é apenas uma vida – é uma história que deixa de existir. Diante disso, silenciar também seria uma forma de apagamento”, afirmou.

Também serão apresentadas fitas com desejos de futuro, escritas por mulheres que visitaram o Museu entre 2022 e 2023, durante atividades culturais da instituição. Nelas, aparecem palavras como “respeito”, “igualdade” e “liberdade”, visando estabelecer um contraponto entre as histórias interrompidas e os futuros desejados.

Com duração de um dia, a instalação ocupa simbolicamente o espaço monumental sem qualquer intervenção permanente na estrutura. Todos os elementos são removíveis e serão instalados sem perfurações ou fixações no patrimônio histórico. Mesmo fechado temporariamente para restauro, o MHJC, por meio de ações como essa, busca manter sua presença no debate público sobre memória, história e questões sociais contemporâneas.

Serviço

O quê:intervenção artística “História que sangra – do documento à presença/ausência”, do Museu de História Julio de Castilhos
Quando:
quarta-feira (11/3), das 10h às 17h
Onde: escadaria do Monumento a Julio de Castilhos, na Praça da Matriz, Centro Histórico de Porto Alegre

Texto: Ascom Sedac
Edição: Secom

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