Quarta, 11 de Março de 2026
26°

Tempo nublado

Caruaru, PE

Política Política

Base de Lula mostra desgaste e desaprovação cresce em grupos decisivos, aponta Quaest

Base de Lula mostra desgaste e desaprovação cresce em grupos decisivos, aponta Quaest

11/03/2026 às 15h16
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
Compartilhe:
Base de Lula mostra desgaste e desaprovação cresce em grupos decisivos, aponta Quaest

Base de Lula mostra desgaste e desaprovação cresce em grupos decisivos, aponta Quaest.

 

Pesquisa indica avanço da desaprovação em grupos decisivos para 2026 e frustração com impacto de medidas econômicas.

A nova rodada da pesquisa Genial Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta sinais de desgaste justamente em segmentos considerados decisivos para uma eventual disputa de reeleição em 2026.

Continua após a publicidade
Anúncio

Embora os números gerais mostrem relativa estabilidade na avaliação do governo, os recortes do levantamento revelam perda de apoio entre eleitores independentes, jovens, mulheres e em regiões estratégicas do país.

No total, 51% dos entrevistados afirmam desaprovar o governo, patamar ligeiramente superior ao registrado em fevereiro, quando a taxa era de 49%. A aprovação recuou de 45% para 44% no mesmo período.

Continua após a publicidade
Anúncio

O dado mais sensível para o Palácio do Planalto aparece no grupo de eleitores independentes, tradicionalmente decisivo em eleições presidenciais. Entre esse público, a desaprovação passou de 52% para 57% em um mês. Apenas 33% desse grupo declara aprovar a gestão do petista.

Independentes e regiões estratégicas

A piora da avaliação também se concentra em regiões com peso eleitoral relevante. No Sudeste, principal colégio eleitoral do país, a desaprovação subiu de 54% em fevereiro para 58% agora.

No bloco formado por Centro-Oeste e Norte, o movimento foi ainda mais acentuado: a taxa de desaprovação saltou de 51% para 59%.

A combinação desses dois recortes chama atenção porque ambos os espaços são considerados estratégicos em disputas nacionais, especialmente em cenários de segundo turno.

Outro grupo que passou a demonstrar maior resistência ao governo foi o eleitorado feminino. Em fevereiro, as mulheres ainda aprovavam mais do que desaprovavam a gestão petista: 48% avaliavam positivamente o governo, contra 44% de avaliação negativa.

Agora o cenário se inverteu. A desaprovação chegou a 48%, enquanto a aprovação recuou para 46%.

Entre os jovens de 16 a 34 anos, o quadro também é desfavorável ao governo. Nesse segmento, 56% desaprovam a gestão, enquanto 40% aprovam. Esse grupo etário é considerado particularmente relevante nas eleições recentes por apresentar maior volatilidade eleitoral.

Mudança entre católicos e beneficiários do Bolsa Família

O levantamento também mostra variações em grupos que historicamente foram bases importantes de apoio ao presidente.

Entre os eleitores católicos, por exemplo, a aprovação caiu de 52% em fevereiro para 49%. A desaprovação chegou a 47%, aproximando os dois índices.

Mesmo entre beneficiários do Bolsa Família — tradicionalmente associados ao apoio ao petismo — houve leve deterioração na avaliação do governo. A desaprovação subiu de 34% para 38%, enquanto a aprovação recuou de 60% para 57%.

A pesquisa também indica que o ambiente informacional pode estar influenciando a percepção dos eleitores. Segundo o levantamento, 47% afirmam ter visto mais notícias negativas do que positivas sobre o governo Lula.

Em fevereiro, quando os indicadores eram ligeiramente melhores, esse percentual era de 41%.

A exposição mais frequente a notícias negativas tende a reforçar percepções críticas sobre o desempenho do governo, segundo analistas políticos.

Frustração com impacto econômico

Outro ponto captado pela pesquisa envolve a percepção sobre medidas econômicas anunciadas pelo governo. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, por exemplo, teve impacto percebido menor do que o esperado.

Em outubro, quando a proposta foi anunciada, 61% dos eleitores acreditavam que seriam beneficiados pela medida. Agora, apenas 31% dizem ter sentido algum efeito positivo.

Para 66% dos entrevistados, a mudança não trouxe impacto direto no orçamento.

Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, 74% afirmam não terem sido beneficiados pela isenção. Dentro desse grupo, 48% dizem não ter percebido diferença concreta no bolso.

A percepção de que o custo dos alimentos continua elevado aparece como um dos fatores que ajudam a explicar essa frustração econômica captada pelo levantamento.

Sinais para 2026

Os dados sugerem que o governo enfrenta um desafio crescente para reconectar sua agenda econômica com a percepção cotidiana dos eleitores.

A perda de apoio em segmentos como independentes, jovens e mulheres indica que parte do eleitorado que costuma decidir eleições presidenciais pode estar se afastando do governo neste momento do mandato.

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março, por meio de entrevistas domiciliares em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.