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ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, aponta Coaf

ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, aponta Coaf

11/03/2026 às 11h25
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Coaf. Foto: Reprodução/ Facebook
ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Coaf. Foto: Reprodução/ Facebook

ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, aponta Coaf.

 

Ex-prefeito de Salvador afirma que prestou serviços de consultoria ao banco de Daniel Vorcaro e à gestora de recursos.

Uma empresa do vice-presidente do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão vinculado ao Banco Central. Os recursos foram repassados ao ex-prefeito de Salvador logo após as eleições de 2022, em dezembro daquele ano, e entre março de 2023 e maio de 2024. Procurado, ACM Neto confirma que recebeu os pagamentos e diz que os valores são referentes a serviços de consultoria.

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A empresa A&M Consultoria Ltda., da qual o vice-presidente do União Brasil é sócio ao lado de sua mulher, foi constituída em 28 de dezembro de 2022 e tem capital social de R$ 2 mil. Segundo dados da Receita Federal, a empresa tem como atividade principal prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial” e como atividade secundária uma atuação “de apoio à educação”.

De acordo com dados do Coaf, de junho de 2023 a maio de 2024, a empresa de ACM Neto recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove repasses do Master, totalizando R$ 2,9 milhões. Nesse mesmo período, ACM recebeu da sua própria empresa R$ 4,2 milhões em 14 repasses. Antes disso, em março de 2023 e junho de 2023, a A&M recebeu R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag.

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“Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, diz o relatório do Coaf, órgão de inteligência que atua na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro.

Procurado por telefone, ACM Neto afirmou que falaria apenas por meio de nota redigida com seu advogado. Em texto enviado ao GLOBO, o ex-prefeito de Salvador disse que, quando já não exercia qualquer cargo público, constituiu a empresa e, a partir de então, prestou serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a Reag.

“Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, afirmou o ex-prefeito de Salvador.

ACM Neto frisou, ainda, que “no período do contrato, existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado”.

“Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação. Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados”, afirmou.

O ex-prefeito pontuou, ainda, que está “totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado”.

Outros contratos

Além de ACM Neto, o Master contratou um rede de consultores e advogados para atuar no mundo político e jurídico a favor do banco. O colunista Lauro Jardim, do GLOBO, revelou no ano passado que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também foi contratado como consultor do Master. O ex-chefe da equipe econômica conseguiu um encontro de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atuou pela aprovação da operação de venda do banco ao BRB, instituição pública do Distrito Federal.

O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski também prestou consultoria ao Master por indicação do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O escritório do ex-magistrado passou a prestar serviços ao banco logo após ele e aposentar do STF, em 2023. O contrato previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e rendeu ao ex-ministro e ao seu filho R$ 6,5 milhões entre agosto de 2023 e agosto de 2025.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF, também foi contratado para auxiliar o Master em Brasília, conforme revelou a colunista Malu Gaspar. O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos e foi encerrado após Vorcaro ser preso e o seu banco liquidado.

O Banco Master se tornou alvo de investigações da PF após a descoberta de um esquema bilionário de fraude no sistema financeiro, com emissão de títulos de crédito sem lastro e realização de operações irregulares que podem chegar R$ 12 bilhões. O Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025.

Na semana passada, Vorcaro foi preso pela segunda vez por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo decisão do magistrado, o banqueiro mantinha um “braço armado” para intimidar adversários”, com uso de “coação por meio de sua milícia”.

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