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Escolha do segundo candidato ao Senado em São Paulo divide bolsonarismo

Escolha do segundo candidato ao Senado em São Paulo divide bolsonarismo

11/03/2026 às 08h49
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Escolha do segundo candidato ao Senado em São Paulo divide bolsonarismo

Escolha do segundo candidato ao Senado em São Paulo divide bolsonarismo.

 

Enquanto Jair Bolsonaro prefere o vice-prefeito Mello Araújo, Eduardo defende o deputado Mário Frias e Tarcísio quer nome de centro.

A escolha de quem disputará a segunda vaga ao Senado em São Paulo na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem dividido opiniões entre as principais lideranças bolsonaristas.

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De um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro prefere o nome do vice-prefeito paulistano, Mello Araújo (PL), de quem é próximo desde os tempos da Presidência da República.

Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que seria o candidato caso não tivesse deixado o país, tem como atual favorito o deputado federal Mário Frias (PL) — anteriormente, seu indicado era o deputado estadual Gil Diniz (PL).

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Tarcísio, por sua vez, que esteve com Bolsonaro no mês passado, não quer nenhum dos três e defende um nome mais ao centro para a composição.

O primeiro candidato conservador ao Senado está definido e será Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado.

Seu suplente será o advogado Vicente Santini, que deixará nas próximas semanas o cargo de assessor especial de Tarcísio em Brasília. Além disso, Santini será o coordenador da agenda de campanha à presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL).

No próximo dia 18, o assessor estará com Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, após o ministro Alexandre de Moraes autorizar a visita. Entre os assuntos tratados estará justamente o do segundo candidato da direita paulista ao Senado.

A demora para a definição ocorre no momento em que o campo do presidente Lula (PT) mira nas ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como seus nomes favoritos para a empreitada, embora a decisão não tenha sido tomada.

Mesmo assim, a possibilidade da chapa feminina e de perfil mais centrista fez o entorno de Tarcísio se movimentar para que o escolhido seja não apenas um nome de centro, mas também competitivo.

Em visita a Bolsonaro, há um mês, o governador paulista fez a defesa de seu ponto de vista. Para Tarcísio, segundo aliados, há o risco de o grupo político não eleger senadores em 2026, embora Derrite esteja bem colocado nas pesquisas. Mas a aposta em uma dobradinha bolsonarista, na avaliação de pessoas próximas a Tarcísio, poderia dispersar os votos, sobretudo do eleitor conservador moderado.

No fim de fevereiro, durante evento na Alesp em homenagem a Valdemar Costa Neto, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão será tomada em consenso e divulgada em 30 de março.

– Com relação ao Senado, a gente está aguardando ainda mais informações, tem que conversar, essa é uma decisão que passa pelo Eduardo Bolsonaro e pelo presidente Bolsonaro, e vamos fazer questão de estar alinhado com o governador Tarcísio também. É um palanque em muita sintonia e com muita vontade de todo mundo se ajudar — disse Flávio.

As “informações” citadas pelo senador-presidenciável podem ser traduzidas, segundo um conhecedor do entorno bolsonarista, como “o nome viável leva a vaga”, ou seja, quem estiver mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Esse teria sido, inclusive, o motivo de Bolsonaro ter pedido mais tempo, no mês passado, para definir o ocupante da vaga.

Um desses nomes estudados é o da deputada federal Rosana Valle (PL-SP). Ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a parlamentar diz que seu foco é a campanha à reeleição, mas não descarta a empreitada caso seu nome seja viável.

– Michelle pediu para meu nome ser testado na pesquisa. Não fez só comigo, fez com outras mulheres no Brasil todo.

E quando ela vê que tem uma possibilidade de uma mulher que está se destacando pleitear um cargo importante, é lógico que ela vai puxar a sardinha para o lado das mulheres, porque ela está ali no partido com a função de dar protagonismo paras mulheres. [Minha candidatura] vai depender da avaliação que o partido vai fazer. Não é uma coisa que eu esteja pedindo. Eu iria se houvesse um consenso. Se houvesse um convite, um consenso.

Mas é importante eu deixar claro que eu estou focada na minha reeleição para deputada federal – afirma Rosana.

Outro postulante da direita, mas atualmente distante do campo bolsonarista, o deputado federal Ricardo Salles (Novo) foi anunciado pelo partido como pré-candidato ao Senado e gostaria de ser o escolhido por Bolsonaro e aliados, o que é considerado difícil até por ele.

Eleito em 2022 pelo PL, com 640 mil votos, Salles é hoje o deputado paulista em exercício mais votado na eleição passada. Ele fica atrás de Guilherme Boulos (PSOL, 1 milhão de votos), que está licenciado, e de Carla Zambelli (PL, 946 mil votos) e Eduardo Bolsonaro (PL, 741 mil votos). Ambos tiveram seus mandatos cassados — Zambelli está presa na Itália.

– Dos nomes que estão propostos, eu sou o que teve mais votos, então não tem motivo de eu não me candidatar ao Senado. Mas eu acho ruim ter três candidatos [do campo da direita], pois vai dividir votos. Mas, se tiver, paciência – afirma Salles.

Além dos nomes citados, outros também estão no jogo, como os deputados federais Cezinha de Madureira (de mudança do PSD para o PL), Marco Feliciano (PL) e Baleia Rossi (MDB)

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