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Entenda por que plano dos EUA contra PCC e CV preocupa o governo Lula

Entenda por que plano dos EUA contra PCC e CV preocupa o governo Lula

10/03/2026 às 17h38 Atualizada em 10/03/2026 às 17h40
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
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Entenda por que plano dos EUA contra PCC e CV preocupa o governo Lula

Entenda por que plano dos EUA contra PCC e CV preocupa o governo Lula.

 

Proposta de Washington de classificar facções como terroristas levanta alerta sobre soberania e pode virar tema sensível em encontro entre Lula e Trump.

A possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais acendeu um alerta no governo brasileiro. A medida vem sendo discutida pela administração do presidente Donald Trump como parte de uma estratégia mais ampla de combate ao narcotráfico na América Latina.

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No Itamaraty, a proposta passou a ser tratada como um tema sensível da agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos e pode entrar nas conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump em um encontro previsto para o próximo mês, ainda sem data confirmada.

A seguir, entenda por que o plano gera preocupação em Brasília.

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Possível brecha para ações dos EUA

Um dos principais receios do governo brasileiro é que a classificação abra caminho para uma atuação mais ampla das autoridades americanas fora de seu território.

Nos Estados Unidos, a designação de grupos como organizações terroristas permite ao governo aplicar sanções, ampliar instrumentos de inteligência e, em alguns casos, justificar operações internacionais contra essas organizações.

Integrantes do governo brasileiro lembram que algo semelhante ocorreu recentemente na Venezuela. No ano passado, Washington classificou cartéis ligados ao narcotráfico venezuelano como organizações terroristas internacionais.

A decisão antecedeu a operação militar dos EUA que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro, acusado de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

No Brasil, a legislação enquadra como terrorismo crimes motivados por razões ideológicas, políticas, religiosas ou de caráter discriminatório. Facções criminosas como PCC e CV são enquadradas principalmente como organizações voltadas ao lucro por meio de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Movimento diplomático do Brasil

Diante da possibilidade de avanço da proposta, o governo brasileiro passou a atuar diplomaticamente para tentar conter a iniciativa.

No último domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Durante a conversa, o chanceler brasileiro buscou convencer o governo americano a não levar adiante a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

A discussão ocorre em meio à preparação de um encontro entre Lula e Trump em Washington. A viagem chegou a ser cogitada para março, mas acabou adiada devido ao início da guerra no Irã e ao desencontro de agendas entre os dois líderes.

Embora o governo brasileiro trate os detalhes da reunião com reserva, analistas avaliam que a classificação do PCC e do CV deve aparecer nas conversas entre os presidentes.

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