
Presidente minimiza alta de preços, mas republicanos temem impacto nas eleições legislativas.
A guerra iniciada pelo presidente Donald Trump contra o Irã começa a produzir um efeito sensível na economia americana: a alta do preço da gasolina. O impacto já preocupa aliados republicanos, que temem que o aumento do custo de vida enfraqueça o principal argumento econômico do partido às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Nesta segunda-feira, Trump tentou minimizar o problema ao afirmar que a alta dos combustíveis é temporária e causada artificialmente pelo conflito. Segundo ele, os preços devem voltar a cair quando a operação militar terminar, embora não tenha apresentado um prazo claro para isso.
“O preço do petróleo no curto prazo é um pequeno preço a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”, escreveu o presidente em suas redes sociais no domingo.
Os números, porém, já começam a pressionar o debate político em Washington. O preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou a US$ 3,48 por galão, uma alta de quase 17% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Historicamente, o custo do combustível funciona como um termômetro político importante para os eleitores americanos.
“O preço da gasolina sempre acaba sendo uma referência”, afirmou o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, ao comentar o impacto do aumento dos combustíveis. Ele disse esperar que a maior produção doméstica ajude a aliviar a pressão, mas reconheceu que o tema precisa ser acompanhado de perto.
A escalada nos preços ocorre justamente quando a Casa Branca pretendia transformar o custo de vida no principal pilar da campanha republicana para as eleições de meio de mandato. Em reuniões estratégicas realizadas antes do discurso do Estado da União, assessores de Trump e integrantes do governo defenderam que a queda de preços deveria ser o eixo central da mensagem aos eleitores.
No próprio discurso ao Congresso, no mês passado, Trump destacou repetidamente a redução do preço da gasolina como prova da força da economia sob sua gestão. Na ocasião, afirmou que o combustível havia caído para menos de US$ 2,30 por galão na maioria dos estados, e chegou a citar postos onde o preço estaria próximo de US$ 1,85.
Algumas semanas depois, o cenário mudou. O presidente, que durante anos utilizou a alta dos combustíveis como arma política contra adversários, agora argumenta que os americanos precisam aceitar um impacto temporário em troca dos objetivos estratégicos da guerra.
Em um encontro com deputados republicanos na Flórida nesta segunda-feira, Trump preferiu evitar qualquer menção direta ao preço da gasolina. Em vez disso, destacou a alta das bolsas americanas durante seu governo e afirmou que o mercado acionário ainda pode subir mais quando o conflito for resolvido.
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