
A Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (Seed), em parceria com a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM), realizou, nesta terça-feira, 10, a abertura da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. O evento ocorreu no auditório da Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória, em Aracaju, e reuniu gestores, técnicos educacionais, professores e representantes de instituições parceiras para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento às violências de gênero no ambiente escolar.
A iniciativa marcou o início de um conjunto de ações pedagógicas que serão desenvolvidas nas 319 unidades da rede pública estadual de ensino ao longo do ano letivo, em consonância com a Lei nº 14.164, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para incluir a prevenção da violência contra a mulher como tema transversal nos currículos da educação básica. O objetivo é fortalecer a formação cidadã de estudantes e profissionais da educação, promovendo a reflexão sobre igualdade de gênero, respeito e cultura de paz.
Ao longo do dia, os participantes acompanharam um ciclo de palestras e a apresentação de experiências exitosas desenvolvidas no âmbito da educação e da promoção de direitos. A programação incluiu a palestra ‘Prevenção à Violência contra a Mulher: gênero e educação’, ministrada pela professora doutora Maria Aparecida Souza Couto, do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase/Seed); a palestra ‘Violência contra meninas e mulheres e canais de denúncia’, conduzida por Ana Carolina Machado Jorge, da Diretoria de Proteção e Enfrentamento à Violência da SPM; e a exposição ‘Ambientes Virtuais para Formação em Educação de Gênero’, apresentada pela professora doutora Elissandra Silva Santos, da Coordenadoria de Educação a Distância, Formação e Tecnologias Educacionais (Sedim/Seed).
Durante o evento, também foram compartilhadas experiências pedagógicas exitosas, como o ‘Observatório Delas de Combate à Desinformação’ e o projeto ‘Por uma Escola Sem Violência’, além de iniciativas vinculadas ao Programa Ser Cidadão, como ‘Seixas por Elas: Visibilidades e Combate à Violência de Gênero’ e ‘Cidadania Calazans’.
A secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige articulação entre diferentes instituições e começa com a formação no ambiente escolar. “É muito importante somar esforços para o combate e o enfrentamento à violência contra as mulheres. A parceria entre a Seed e a SPM é uma evidência de que essa união é necessária para trabalhar uma pauta tão importante. Todas as nossas escolas têm no calendário uma semana dedicada a essas ações, que começam agora em março, mas não terminam aqui. Teremos atividades que acontecerão no ‘Agosto Lilás’ e ao longo de todo o ano letivo”, afirmou.
Segundo a gestora, a abertura da semana teve caráter formativo e buscou fortalecer o trabalho pedagógico nas escolas. “Hoje, reunimos técnicos, gestores e professores para compartilhar materiais que apoiarão oficinas com crianças, adolescentes e jovens. O objetivo é trabalhar temas como o combate ao feminicídio, o enfrentamento ao machismo e a prevenção às violências contra as mulheres. Queremos uma transformação cultural, e essa transformação começa na escola, fortalece-se na sociedade e conta com o apoio das famílias”, completou.
A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, ressaltou que a parceria institucional amplia o alcance das ações educativas e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa. “Essa parceria é fundamental porque possibilita uma mudança de chave na sociedade. Quando começamos a trabalhar com meninos e meninas nas escolas, levando informação sobre direitos, respeito e igualdade, estamos contribuindo para formar cidadãos mais conscientes. As mulheres não querem o mundo dos homens porque o mundo não pertence a eles; queremos ser parceiras, dividir responsabilidades e construir uma sociedade mais respeitosa e afetiva”, afirmou.
Para a secretária, a informação é essencial a fim de que estudantes consigam identificar diferentes formas de violência. “Quando levamos esse debate para os alunos e alunas, eles passam a reconhecer violências muitas vezes invisíveis, como a violência psicológica, que é muito comum na sociedade. Essa é uma ação que começa agora em março, mas que vai perpassar todo o ano letivo”, destacou.
Educação para prevenir
Entre as ações estruturantes de enfrentamento à violência de gênero na rede estadual está o Programa Ser Cidadão, que desenvolve atividades formativas voltadas à cidadania, aos direitos humanos e à cultura de paz.
De acordo com a coordenadora do programa, professora Nathalie Lima, o trabalho busca atuar de forma preventiva por meio da educação. “O Ser Cidadão trabalha temáticas relacionadas à cidadania, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e à Lei Maria da Penha. O nosso objetivo, ao tratar desse tema, é educar crianças e adolescentes, porque muitas vezes a violência já aparece quando chega às delegacias e à polícia. O que queremos é começar antes, com um trabalho preventivo de educação de gênero”, explicou.
Uma das ferramentas utilizadas é o caderno temático “Transformação – equidade e empoderamento: formando cidadãos iguais”, que reúne atividades pedagógicas voltadas à discussão sobre violência, direitos e igualdade. O material é trabalhado pelas escolas ao longo do ano e também integra ações com parceiros da rede de proteção, como Polícia Civil, Polícia Militar e Defensoria Pública.
Segundo Nathalie, a meta para 2026 é ampliar o alcance da iniciativa. “Temos, hoje, cerca de cinco mil cadernos circulando na rede, e a intenção é imprimir mais três ou quatro mil exemplares. A meta é atingir pelo menos oito mil estudantes nas escolas estaduais”, ressaltou.
Mobilização nas Diretorias Regionais de Educação
Para atingir essa meta e obter êxito junto à comunidade escolar, as ações de conscientização serão desenvolvidas nas dez Diretorias Regionais de Educação (DREs), que atuarão na articulação das atividades junto às escolas. A diretora da DRE 8, Marleide Cruz de Araújo, explica que esse trabalho educativo é essencial para que meninas e jovens reconheçam situações de violência e possam se posicionar. “É muito importante esse movimento de conscientização, para que nossas meninas consigam identificar pequenos atos que podem levar a violências maiores e até ao feminicídio. Precisamos fortalecer nelas a capacidade de dizer não e de reconhecer quando algo fere sua dignidade”, afirmou.
Na DRE 8 já estão previstas ações de diálogo e escuta com estudantes, além de palestras e rodas de conversa com mulheres que vivenciaram situações de violência. “A ideia é aproximar essas discussões da realidade das alunas, mostrando o que acontece na sociedade e como elas podem se proteger e buscar ajuda”, pontuou.
Experiências nas escolas
No ambiente escolar, muitas unidades já desenvolvem iniciativas voltadas à valorização da mulher e ao combate às violências de gênero. A coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Frei Inocêncio, Wennia da Conceição Santos, relatou que a escola promove atividades educativas integradas a projetos culturais e pedagógicos. “Lá, temos um projeto chamado ‘Cine Negro’, em que ressaltamos a força e o empoderamento da mulher, especialmente da mulher negra, porque também temos o Selo de Escola Antirracista. Durante as aulas, os professores trabalham conteúdos voltados para o combate à violência e para a valorização das mulheres”, relatou.
Recentemente, a escola realizou uma programação especial de três dias dedicada ao tema. “Em cada dia, destacamos um aspecto diferente, como mulheres que inspiram e histórias de superação. Levamos o grupo ‘Afro Maria Tambor’, a Guarda Municipal de Nossa Senhora do Socorro e outros parceiros para dialogar com os estudantes”, contou.
Segundo a coordenadora, apesar dos avanços, ainda há desafios relacionados à cultura machista presente em parte da sociedade. “Percebemos que ainda existe resistência, principalmente em comunidades mais conservadoras. Por isso, nosso trabalho é, justamente, ajudar meninas e meninos a compreenderem que a mulher pode estar onde quiser e que o respeito deve existir em todos os espaços”, concluiu.
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