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Abertura da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher mobiliza educadores e gestores da rede pública estadual de ensino

Iniciativa realizada pela Secretaria de Estado da Educação, em parceria com a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, promove formação ...

10/03/2026 às 14h49
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Fotos: Maria Odília/Ascom Seed
Fotos: Maria Odília/Ascom Seed

A Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (Seed), em parceria com a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM), realizou, nesta terça-feira, 10, a abertura da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. O evento ocorreu no auditório da Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória, em Aracaju, e reuniu gestores, técnicos educacionais, professores e representantes de instituições parceiras para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento às violências de gênero no ambiente escolar.

A iniciativa marcou o início de um conjunto de ações pedagógicas que serão desenvolvidas nas 319 unidades da rede pública estadual de ensino ao longo do ano letivo, em consonância com a Lei nº 14.164, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para incluir a prevenção da violência contra a mulher como tema transversal nos currículos da educação básica. O objetivo é fortalecer a formação cidadã de estudantes e profissionais da educação, promovendo a reflexão sobre igualdade de gênero, respeito e cultura de paz.

Ao longo do dia, os participantes acompanharam um ciclo de palestras e a apresentação de experiências exitosas desenvolvidas no âmbito da educação e da promoção de direitos. A programação incluiu a palestra ‘Prevenção à Violência contra a Mulher: gênero e educação’, ministrada pela professora doutora Maria Aparecida Souza Couto, do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase/Seed); a palestra ‘Violência contra meninas e mulheres e canais de denúncia’, conduzida por Ana Carolina Machado Jorge, da Diretoria de Proteção e Enfrentamento à Violência da SPM; e a exposição ‘Ambientes Virtuais para Formação em Educação de Gênero’, apresentada pela professora doutora Elissandra Silva Santos, da Coordenadoria de Educação a Distância, Formação e Tecnologias Educacionais (Sedim/Seed). 

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Durante o evento, também foram compartilhadas experiências pedagógicas exitosas, como o ‘Observatório Delas de Combate à Desinformação’ e o projeto ‘Por uma Escola Sem Violência’, além de iniciativas vinculadas ao Programa Ser Cidadão, como ‘Seixas por Elas: Visibilidades e Combate à Violência de Gênero’ e ‘Cidadania Calazans’.

A secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige articulação entre diferentes instituições e começa com a formação no ambiente escolar. “É muito importante somar esforços para o combate e o enfrentamento à violência contra as mulheres. A parceria entre a Seed e a SPM é uma evidência de que essa união é necessária para trabalhar uma pauta tão importante. Todas as nossas escolas têm no calendário uma semana dedicada a essas ações, que começam agora em março, mas não terminam aqui. Teremos atividades que acontecerão no ‘Agosto Lilás’ e ao longo de todo o ano letivo”, afirmou.

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Segundo a gestora, a abertura da semana teve caráter formativo e buscou fortalecer o trabalho pedagógico nas escolas. “Hoje, reunimos técnicos, gestores e professores para compartilhar materiais que apoiarão oficinas com crianças, adolescentes e jovens. O objetivo é trabalhar temas como o combate ao feminicídio, o enfrentamento ao machismo e a prevenção às violências contra as mulheres. Queremos uma transformação cultural, e essa transformação começa na escola, fortalece-se na sociedade e conta com o apoio das famílias”, completou.

A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, ressaltou que a parceria institucional amplia o alcance das ações educativas e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa. “Essa parceria é fundamental porque possibilita uma mudança de chave na sociedade. Quando começamos a trabalhar com meninos e meninas nas escolas, levando informação sobre direitos, respeito e igualdade, estamos contribuindo para formar cidadãos mais conscientes. As mulheres não querem o mundo dos homens porque o mundo não pertence a eles; queremos ser parceiras, dividir responsabilidades e construir uma sociedade mais respeitosa e afetiva”, afirmou.

Para a secretária, a informação é essencial a fim de que estudantes consigam identificar diferentes formas de violência. “Quando levamos esse debate para os alunos e alunas, eles passam a reconhecer violências muitas vezes invisíveis, como a violência psicológica, que é muito comum na sociedade. Essa é uma ação que começa agora em março, mas que vai perpassar todo o ano letivo”, destacou.

Educação para prevenir

Entre as ações estruturantes de enfrentamento à violência de gênero na rede estadual está o Programa Ser Cidadão, que desenvolve atividades formativas voltadas à cidadania, aos direitos humanos e à cultura de paz.

De acordo com a coordenadora do programa, professora Nathalie Lima, o trabalho busca atuar de forma preventiva por meio da educação. “O Ser Cidadão trabalha temáticas relacionadas à cidadania, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e à Lei Maria da Penha. O nosso objetivo, ao tratar desse tema, é educar crianças e adolescentes, porque muitas vezes a violência já aparece quando chega às delegacias e à polícia. O que queremos é começar antes, com um trabalho preventivo de educação de gênero”, explicou.

Uma das ferramentas utilizadas é o caderno temático “Transformação – equidade e empoderamento: formando cidadãos iguais”, que reúne atividades pedagógicas voltadas à discussão sobre violência, direitos e igualdade. O material é trabalhado pelas escolas ao longo do ano e também integra ações com parceiros da rede de proteção, como Polícia Civil, Polícia Militar e Defensoria Pública.

Segundo Nathalie, a meta para 2026 é ampliar o alcance da iniciativa. “Temos, hoje, cerca de cinco mil cadernos circulando na rede, e a intenção é imprimir mais três ou quatro mil exemplares. A meta é atingir pelo menos oito mil estudantes nas escolas estaduais”, ressaltou.

Mobilização nas Diretorias Regionais de Educação

Para atingir essa meta e obter êxito junto à comunidade escolar, as ações de conscientização serão desenvolvidas nas dez Diretorias Regionais de Educação (DREs), que atuarão na articulação das atividades junto às escolas. A diretora da DRE 8, Marleide Cruz de Araújo, explica que esse trabalho educativo é essencial para que meninas e jovens reconheçam situações de violência e possam se posicionar. “É muito importante esse movimento de conscientização, para que nossas meninas consigam identificar pequenos atos que podem levar a violências maiores e até ao feminicídio. Precisamos fortalecer nelas a capacidade de dizer não e de reconhecer quando algo fere sua dignidade”, afirmou.

Na DRE 8 já estão previstas ações de diálogo e escuta com estudantes, além de palestras e rodas de conversa com mulheres que vivenciaram situações de violência. “A ideia é aproximar essas discussões da realidade das alunas, mostrando o que acontece na sociedade e como elas podem se proteger e buscar ajuda”, pontuou.

Experiências nas escolas

No ambiente escolar, muitas unidades já desenvolvem iniciativas voltadas à valorização da mulher e ao combate às violências de gênero. A coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Frei Inocêncio, Wennia da Conceição Santos, relatou que a escola promove atividades educativas integradas a projetos culturais e pedagógicos. “Lá, temos um projeto chamado ‘Cine Negro’, em que ressaltamos a força e o empoderamento da mulher, especialmente da mulher negra, porque também temos o Selo de Escola Antirracista. Durante as aulas, os professores trabalham conteúdos voltados para o combate à violência e para a valorização das mulheres”, relatou. 

Recentemente, a escola realizou uma programação especial de três dias dedicada ao tema. “Em cada dia, destacamos um aspecto diferente, como mulheres que inspiram e histórias de superação. Levamos o grupo ‘Afro Maria Tambor’, a Guarda Municipal de Nossa Senhora do Socorro e outros parceiros para dialogar com os estudantes”, contou.

Segundo a coordenadora, apesar dos avanços, ainda há desafios relacionados à cultura machista presente em parte da sociedade. “Percebemos que ainda existe resistência, principalmente em comunidades mais conservadoras. Por isso, nosso trabalho é, justamente, ajudar meninas e meninos a compreenderem que a mulher pode estar onde quiser e que o respeito deve existir em todos os espaços”, concluiu.    
 

Secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães
Secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães
Secretária da SPM, Georlize Teles
Secretária da SPM, Georlize Teles
Nathalie Lima
Nathalie Lima
Wennia da Conceição
Wennia da Conceição
Marleide Cruz
Marleide Cruz
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