
Senador do PL discutiu por telefone com o ex-ministro possível composição no estado; viagem a Fortaleza em abril deve definir posição do partido.
O senador Flávio Bolsonaro conversou por telefone com Ciro Gomes e voltou a articular um possível apoio do PL à candidatura do ex-ministro ao governo do Ceará nas eleições deste ano. A movimentação ocorre após a articulação ter sido interrompida no fim de 2025, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente a aproximação e pressionou o partido a recuar.
A nova investida ocorre em meio às negociações para a formação de uma frente de oposição ao PT no estado e pode ser formalizada nas próximas semanas, quando o parlamentar pretende viajar a Fortaleza para discutir o tema com lideranças locais do partido.
Segundo aliados do senador, a visita de Flávio ao Ceará deve ocorrer em abril e incluir reuniões com parlamentares e dirigentes do PL no estado para avaliar o cenário eleitoral e discutir o posicionamento da legenda na disputa estadual.
A avaliação no entorno do senador é que, diante da fragmentação da oposição, uma composição com Ciro poderia fortalecer o campo anti-PT e ampliar as chances de vitória contra o atual governador Elmano de Freitas, que deve disputar a reeleição.
A aproximação vem sendo tratada diretamente entre os dois. De acordo com interlocutores de ambos, Flávio e Ciro conversaram por telefone sobre o cenário político local e a possibilidade de cooperação eleitoral.
Na ligação, segundo aliados do senador, o pré-candidato à Presidência se mostrou disposto a apoiar o ex-aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa estadual.
No desenho discutido nas conversas, Ciro encabeçaria a disputa pelo governo, enquanto o PL poderia integrar a chapa majoritária e indicar um nome para o Senado. Hoje, são cotados dentro do partido para a vaga o deputado estadual Alcides Fernandes e a vereadora de Fortaleza Priscila Costa.
Procurados pelo GLOBO, Flávio Bolsonaro e Ciro Gomes não se manifestaram.
A articulação ocorre após um episódio que expôs divergências dentro do próprio campo bolsonarista. Em dezembro do ano passado, Michelle criticou publicamente a aproximação com Ciro durante um evento no Ceará, ao participar do lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão ao governo estadual.
No discurso, a ex-primeira-dama questionou a possibilidade de aliança com um adversário histórico do bolsonarismo.
— É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. A pessoa continua falando que a família é de ladrão, é de bandido — disse.
A fala gerou reação pública dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e expôs um racha na condução das articulações políticas no estado. À época, Flávio afirmou que Michelle havia “atropelado” uma negociação que vinha sendo conduzida por lideranças do PL no Ceará e que, segundo ele, contava com o aval do próprio Bolsonaro.
O episódio também foi comentado por Ciro na semana passada. O ex-ministro afirmou que a intervenção da ex-primeira-dama acabou criando um impasse nas tratativas e disse que o PL pediu tempo para reorganizar sua posição no estado.
— A esposa do ex-presidente veio aqui e humilhou o André Fernandes. Eu não tenho nada a ver com isso, fiquei quieto. O PL pediu um tempo para pacificar o problema interno deles — afirmou.
Apesar do desgaste, dirigentes do PL no Ceará continuam defendendo a aproximação com Ciro como estratégia para unificar a oposição ao PT na disputa pelo governo estadual. Nos bastidores, aliados do ex-ministro afirmam que ele mantém aberta a possibilidade de aliança e aguarda uma definição formal da direção nacional do partido.
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