
Reportagem do 60 Minutes diz que tecnologia de energia dirigida pode causar lesões cerebrais semelhantes às registradas em diplomatas e agentes americanos.
Uma investigação exibida pelo programa 60 Minutes, da emissora americana CBS, afirma que os Estados Unidos conduziram testes com uma tecnologia militar secreta capaz de provocar lesões no cérebro humano.
Segundo a reportagem, o equipamento de energia dirigida pode estar relacionado aos episódios conhecidos como “Síndrome de Havana”, que há anos intriga autoridades de segurança e saúde nos EUA.
O dispositivo teria sido submetido a experimentos em um laboratório militar americano por mais de um ano. Testes conduzidos em animais, como ratos e ovelhas, teriam reproduzido danos neurológicos semelhantes aos observados em pessoas que relataram sintomas associados à síndrome.
Especialistas ouvidos pela investigação da emissora indicam que o equipamento utiliza pulsos de micro-ondas para interferir na atividade elétrica do cérebro.
A tecnologia, segundo os pesquisadores, seria capaz de atingir alvos a centenas de metros de distância e funcionaria de forma silenciosa, com energia eletromagnética capaz de atravessar obstáculos como paredes e janelas.
Parte das pesquisas sobre armas desse tipo teria sido conduzida originalmente pela antiga União Soviética. Segundo o 60 Minutes, os Estados Unidos teriam obtido um exemplar do equipamento em 2024 por meio de uma rede criminosa russa envolvida na venda ilegal de armamentos.
A operação teria custado cerca de US$ 15 milhões e foi financiada pelo Departamento de Defesa americano. A compra ocorreu após diversos relatos de funcionários do governo e familiares que afirmaram ter sido atingidos por ataques com tecnologia semelhante.
O termo “Síndrome de Havana” passou a ser usado após diplomatas americanos relatarem sintomas neurológicos enquanto estavam em Cuba, em 2016. A partir dali, outros episódios semelhantes foram registrados envolvendo militares, agentes de inteligência e funcionários do governo.
Entre os efeitos relatados estão dores intensas na cabeça, perda de equilíbrio, alterações na visão, zumbidos nos ouvidos, sangramentos e dificuldades cognitivas.
Segundo a reportagem, centenas de ocorrências desse tipo foram registradas ao longo dos anos, inclusive em áreas próximas à Casa Branca.
Uma investigação conduzida pelo 60 Minutes em parceria com o site russo independente The Insider identificou indícios da presença de um agente de inteligência russo próximo de uma vítima na Europa.
No episódio, a esposa de um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos relatou que sentiu uma dor intensa e súbita na cabeça, acompanhada de uma sensação de pressão interna, logo após perceber um som ou sensação que parecia atingir diretamente seu ouvido.
A vítima relatou que o episódio provocou dores lancinantes e uma sensação imediata de pressão na cabeça, sintomas que surgiram de forma repentina e que posteriormente exigiram tratamento médico.
Segundo a investigação televisiva, diversas vítimas teriam ficado com sequelas permanentes após episódios semelhantes. No caso da mulher atingida na Europa, a reportagem afirma que foram necessárias várias cirurgias para tratar danos nos ouvidos e no crânio.
Apesar das suspeitas levantadas ao longo dos anos, avaliações oficiais divulgadas pelo governo americano em 2023 concluíram que seria “muito improvável” que os casos tenham sido causados por ataques deliberados conduzidos por um país adversário.
Ex-integrantes da comunidade de inteligência ouvidos pelo programa, porém, afirmam que autoridades americanas podem ter tratado o tema com cautela excessiva para evitar tensões diplomáticas ou repercussões políticas.
O debate sobre armas de energia dirigida voltou a ganhar força em janeiro, durante a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Na ocasião, um vídeo divulgado nas redes sociais trouxe o relato de um soldado venezuelano que descreveu sintomas súbitos durante uma ação militar. Segundo o testemunho, os militares sentiram dores intensas na cabeça, sangramentos pelo nariz e perda de mobilidade logo após o suposto ataque, o que gerou especulações sobre o uso de uma tecnologia desconhecida.
Os sintomas descritos são semelhantes aos associados à Síndrome de Havana. No entanto, o relato menciona a hipótese de uso de ondas sonoras, e não de micro-ondas, como a tecnologia investigada pela reportagem.
O vídeo com o depoimento foi compartilhado nas redes sociais pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Questionado sobre o episódio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país possui sistemas militares avançados que não são de conhecimento público. Segundo ele, os EUA detêm armamentos altamente sofisticados e pouco divulgados, motivo pelo qual preferiu não entrar em detalhes sobre o funcionamento dessas tecnologias.
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