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Na guerra do Irã, o agro brasileiro só teme uma coisa: a alta do diesel

Na guerra do Irã, o agro brasileiro só teme uma coisa: a alta do diesel

09/03/2026 às 17h27
Por: Redação Fonte: Reuters
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Na guerra do Irã, o agro brasileiro só teme uma coisa: a alta do diesel

Na guerra do Irã, o agro brasileiro só teme uma coisa: a alta do diesel.

 

Diesel mais caro é principal problema da guerra para o agro do Brasil no curto prazo.

O principal reflexo negativo da guerra ⁠no Golfo Pérsico para o setor agrícola do Brasil no curto prazo é a ⁠alta do preço do diesel no mercado brasileiro, já que o país importa cerca de 30% de suas ‌necessidades, e o avanço da cotação acontece na esteira da disparada do mercado de petróleo, disseram representantes de importantes associações do setor.

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Além disso, há relatos de produtores sobre problemas de entregas de diesel no Rio Grande do Sul, com agentes limitando ‌a oferta enquanto os custos do combustível estão maiores e a Petrobras ainda mantém seus valores a despeito de o petróleo ter atingido máximas desde meados de 2022 por conta do conflito.

A guerra dos EUA e Israel contra o Irã ocorre em um dos momentos em que o agronegócio brasileiro tem sua maior demanda por diesel, para escoar a safra recorde de soja, colher parte da produção da oleaginosa que ainda está nos campos e para finalizar o plantio da segunda safra, que responde pela maior parte ⁠do ‌cereal cultivado no país.

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As atividades de colheita e plantio não podem esperar, enquanto há outras como tratos culturais nas lavouras, com ⁠aplicação de insumos, que também demandam consumo de diesel.

“Agora o principal problema é valor do diesel, vimos o petróleo saindo de 80 para o patamar de 100 dólares o barril, isso tem gerado alarde no campo”, disse o diretor-técnico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Bruno Lucchi, à Reuters.

Os preços do petróleo subiram para mais de US$119 por barril nesta segunda-feira, antes de perderem um pouco da força. Por volta das 14h (horário de Brasília), o Brent era ​negociado em alta de mais de 7%, perto de US$100.

Segundo Lucchi, a importação de fertilizantes nitrogenados, que já está mais cara ou mesmo inviável — se a origem é o Irã, devido aos riscos no Estreito de Ormuz que impactam ​o transporte de produtos como o petróleo –, é gerenciável neste momento, com os produtores podendo adiar um pouco a decisão de compra de adubo, já que as necessidades para a safra atual estão cobertas.

Da mesma forma, o Brasil só exporta os maiores volumes de milho ao Irã, seu principal mercado do cereal, no segundo semestre, o que dá alguma margem de manobra. Mas, no caso do diesel, o impacto é imediato.

‘Estou colhendo soja, arroz… e o momento de colher não pode esperar, da ‌mesma forma o plantio de milho… Se esperar, posso reduzir a janela (climática) de plantio. ​O produtor não tem escolha, ele tem que entrar na lavoura, o tempo não é o do produtor, é o tempo da natureza’, afirmou Lucchi.

“O ponto principal no curto prazo é o diesel, o produtor precisa de diesel para fazer as operações agora”, afirmou Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de ⁠Economia Agropecuária (Imea), órgão ligado à federação dos produtores ​do Estado que é líder do ​setor no país.

O óleo diesel e lubrificantes normalmente representam cerca de 5% do custeio agrícola, disse Gauer.

Mas essa participação do diesel no custeio pode ser pressionada. ⁠Lucchi, da CNA, disse ter recebido relatos de alta nos preços do ​diesel na bomba de cerca de R$1 por litro entre o Centro-Oeste e o Sul do país, o que representaria avanço de mais de 15% no valor, com altas máximas de cerca de R$1,50 o litro.

O diretor-técnico lembrou ainda que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural ​e Biocombustíveis (ANP) afirmou que vai investigar denúncias sobre dificuldades na aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul, além de denúncias de altas de preços do combustível.

“Hoje tivemos conversa com a ANP, ​eles disseram que não existe falta, estão ⁠notificando algumas distribuidoras, que estão segurando o produto para vender mais caro. O que estamos vendo é que pode estar ocorrendo algum oportunismo de elevar o preço acima ⁠das condições normais”, afirmou o diretor-técnico da CNA.

Em nota nesta segunda-feira, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) afirmou que está orientando os produtores rurais do Estado a informarem casos de aumento recente no preço do óleo diesel ou dificuldades de abastecimento do combustível em estabelecimentos comerciais.

A entidade disse que vem recebendo reclamações de diferentes regiões gaúchas sobre problemas de fornecimento.

Os dados coletados serão encaminhados ao Ministério Público, à Polícia Civil, à Polícia Federal e à ANP, para avaliação e eventual adoção das medidas cabíveis.

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