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Vorcaro preso: Investigação revelou organização criminosa no Banco Master

Vorcaro preso: Investigação revelou organização criminosa no Banco Master

04/03/2026 às 10h22
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Vorcaro preso: Investigação revelou organização criminosa no Banco Master

Vorcaro preso: Investigação revelou organização criminosa no Banco Master.

 

MPF sustenta existência de organização criminosa estruturada desde a década passada; defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades.

A nova prisão do ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, nesta quarta-feira (4), recoloca sob os holofotes um dos pontos mais sensíveis da investigação sobre o Banco Master: a suspeita de que as operações sob apuração não foram fruto de descontrole pontual, mas resultado de um planejamento que se estenderia por anos.

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Autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação apura uma série de indícios que vão desde irregularidades financeiras até possível ligação com o crime organizado.

Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, os elementos reunidos pela Polícia Federal durante uma investigação em meados de janeiro deste ano indicam a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, o histórico de investigações anteriores reforça a tese de que houve uma “escalada de atividades criminosas”, e não uma situação isolada.

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“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal […] serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada”, afirmaram os integrantes do MPF em manifestação incluída nos autos.

O entendimento foi citado na decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em janeiro, que autorizou mandados de busca e apreensão contra Vorcaro e outros investigados. O caso está sob relatoria do ministro no âmbito da Operação Compliance Zero.

Na decisão, Toffoli observou que as apurações ultrapassam os fatos inicialmente investigados e mencionou um “aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”.

A Procuradoria também defendeu que a investigação permanecesse na Justiça Federal de São Paulo, diante da complexidade das operações financeiras envolvidas.

Risco sistêmico

Em fases anteriores, a Polícia Federal apontou a existência de possível risco sistêmico ao setor financeiro. A investigação examina empréstimos estruturados, movimentações consideradas atípicas e operações com fundos de investimento que teriam apresentado rentabilidades extraordinárias em curto espaço de tempo.

Os investigadores também analisam transferências consideradas suspeitas, inclusive envolvendo familiares do controlador do banco.

A apuração busca esclarecer se houve uso reiterado de mecanismos financeiros para sustentar posições de liquidez e capitalização da instituição em meio a um crescimento acelerado nos últimos anos.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master “não realizou operações destinadas a beneficiar terceiros ou familiares de seu controlador”. Segundo os advogados, até a liquidação extrajudicial, o banqueiro teria feito aportes sucessivos para reforçar a posição financeira da instituição e proteger credores e investidores.

“A defesa permanece colaborando com as autoridades competentes e confia que o esclarecimento completo dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”, diz o comunicado.

Também citada no contexto das investigações, a Reag declarou que não exerce controle sobre empresas mencionadas e que os recursos questionados decorrem de operações de crédito estruturado, com liberação condicionada a marcos contratuais — prática que classificou como usual no mercado.

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