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Como commodities agrícolas são afetadas pela escalada do conflito no Oriente Médio?

Como commodities agrícolas são afetadas pela escalada do conflito no Oriente Médio?

02/03/2026 às 21h39
Por: Redação Fonte: infomoney
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Como commodities agrícolas são afetadas pela escalada do conflito no Oriente Médio?

Como commodities agrícolas são afetadas pela escalada do conflito no Oriente Médio?.

 

Analistas também apontam impactos para proteínas, principalmente MBRF.

A escalada do conflito no Oriente Médio, após EUA atacarem o Irã, elevou com força os preços das commodities energéticas e trouxe um novo componente de risco. A equipe Agro da XP, petróleo e gás natural registraram altas expressivas — 9% e 39%, respectivamente — e já redesenham o cenário para açúcar, etanol, soja, milho e proteínas animais.

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A lista de países diretamente impactados pelos ataques inclui Barein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia e Omã. A região é altamente dependente de alimentos importados, o que tende a manter o fluxo comercial, mas a custos mais altos devido ao aumento de prêmios de risco, seguros e fretes.

Já o choque recente nos preços do petróleo recoloca a Petrobras (PETR3;PETR4) no centro das atenções.

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Segundo a XP Investimentos, há risco de pressão para repasses na gasolina, embora analistas esperem que a estatal demore para ajustar preços caso o barril siga em níveis elevados.

No açúcar, os contratos futuros sobem entre 1% e 2%, impulsionados pela energia. No entanto, as perspectivas de oferta seguem amplas: a Hedgepoint projeta superávit global de 3,4 milhões de toneladas para 2026/27 e a Czarnikow vê excedente ainda maior, de 4,8 milhões. Assim, apesar do impulso do petróleo, os fundamentos continuam limitando movimentos altistas significativos.

Para o etanol, a alta do petróleo cria um ambiente mais favorável, mas o setor trabalha com a percepção de que os preços de entressafra já atingiram o pico e que o mix altamente alcooleiro esperado para 2026/27 deve aliviar pressões.

Com o petróleo disparando, o óleo de soja — usado, entre outras aplicações, em biocombustíveis — recebe suporte adicional. A XP destaca que a melhora nas margens de esmagamento favorece o complexo soja: óleo sobe, acompanhando energia; farelo recua, com expectativa de maior oferta decorrente do aumento de esmagamento.

O movimento tende a equilibrar o mercado, mas reforça que a dinâmica em 2026 será fortemente influenciada pelos preços energéticos.

Já o milho é o elo mais sensível do agro brasileiro na região. Em 2025, quase metade das exportações do Brasil teve como destino países diretamente afetados pela tensão geopolítica.

A XP aponta três efeitos imediatos: elevação de custos logísticos, com fretes e seguros mais caros; prêmios de risco maiores para embarques; demanda possivelmente mais lenta no curto prazo, mas sem interrupções. A avaliação central permanece: mesmo em conflitos, alimentos seguem fluindo, ainda que com custos mais altos.

No caso do trigo, a alta de tensões se soma à guerra no Mar Negro Além do Oriente Médio, o Mar Negro também vive intensificação de ataques. A Rússia atingiu estruturas portuárias em Odessa, na Ucrânia, reacendendo preocupações com a oferta. Em meio ao ambiente instável, a Arábia Saudita surpreendeu o mercado ao adquirir 794 mil toneladas em uma licitação — acima das expectativas. Para a XP, trata-se de uma compra estratégica, voltada para garantir abastecimento enquanto a volatilidade aumenta.

Em proteínas, o frango é o mais exposto, enquanto bovino perde peso e suíno praticamente não é afetado.

Para carne bovina, as exportações brasileiras para Oriente Médio e Norte da África recuaram de 19% em 2024 para 13% em 2025. Os países diretamente afetados representam apenas 4% do total. Para o Irã, o fluxo tende a ser mantido por meio de triangulações comerciais, como ocorreu em outros episódios de tensão.

A carne de frango é o segmento mais sensível. Enquanto os países impactados pelo conflito respondem por 21% das exportações brasileiras de 2025 — volume significativo para uma região altamente dependente de importações. Embora custos subam, a expectativa é que o fluxo continue para evitar desabastecimento.

No caso da carne suína, o impacto é mínimo. A região majoritariamente muçulmana e judaica, o Oriente Médio tem consumo irrelevante de carne suína e não influencia o comércio brasileiro.

Em relatório focado em MBRF (MBRF3), o Goldman Sachs estima que a região do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) e a Turquia, juntas, respondam por cerca de 11% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado da companhia. A visão é de que. embora a redução de atividade no Estreito de Ormuz possa criar desafios logísticos temporários, acredita que o modelo de negócios local da BRF oferece vantagens competitivas estruturais que podem mitigar interrupções operacionais. Além disso, um dólar mais forte e preços potencialmente mais baixos do milho podem ser fontes de alta, mantendo recomendação de compra para as ações de MBRF.

A MBRF está analisando potenciais rotas alternativas para proteger sua cadeia de suprimentos e reconhece que os prazos de entrega podem ser temporariamente estendidos. Como a companhia opera localmente, conta com estoques nos próprios mercados e uma rede de distribuição direta, o que pode ajudar a sustentar as operações de curto prazo em meio à maior volatilidade. A gestão afirmou que as operações da MBRF na região não foram diretamente afetadas pelos ataques e que o foco atual está em garantir a segurança das equipes locais.

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