
Analistas também apontam impactos para proteínas, principalmente MBRF.
A escalada do conflito no Oriente Médio, após EUA atacarem o Irã, elevou com força os preços das commodities energéticas e trouxe um novo componente de risco. A equipe Agro da XP, petróleo e gás natural registraram altas expressivas — 9% e 39%, respectivamente — e já redesenham o cenário para açúcar, etanol, soja, milho e proteínas animais.
A lista de países diretamente impactados pelos ataques inclui Barein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia e Omã. A região é altamente dependente de alimentos importados, o que tende a manter o fluxo comercial, mas a custos mais altos devido ao aumento de prêmios de risco, seguros e fretes.
Já o choque recente nos preços do petróleo recoloca a Petrobras (PETR3;PETR4) no centro das atenções.
Segundo a XP Investimentos, há risco de pressão para repasses na gasolina, embora analistas esperem que a estatal demore para ajustar preços caso o barril siga em níveis elevados.
No açúcar, os contratos futuros sobem entre 1% e 2%, impulsionados pela energia. No entanto, as perspectivas de oferta seguem amplas: a Hedgepoint projeta superávit global de 3,4 milhões de toneladas para 2026/27 e a Czarnikow vê excedente ainda maior, de 4,8 milhões. Assim, apesar do impulso do petróleo, os fundamentos continuam limitando movimentos altistas significativos.
Para o etanol, a alta do petróleo cria um ambiente mais favorável, mas o setor trabalha com a percepção de que os preços de entressafra já atingiram o pico e que o mix altamente alcooleiro esperado para 2026/27 deve aliviar pressões.
Com o petróleo disparando, o óleo de soja — usado, entre outras aplicações, em biocombustíveis — recebe suporte adicional. A XP destaca que a melhora nas margens de esmagamento favorece o complexo soja: óleo sobe, acompanhando energia; farelo recua, com expectativa de maior oferta decorrente do aumento de esmagamento.
O movimento tende a equilibrar o mercado, mas reforça que a dinâmica em 2026 será fortemente influenciada pelos preços energéticos.
Já o milho é o elo mais sensível do agro brasileiro na região. Em 2025, quase metade das exportações do Brasil teve como destino países diretamente afetados pela tensão geopolítica.
A XP aponta três efeitos imediatos: elevação de custos logísticos, com fretes e seguros mais caros; prêmios de risco maiores para embarques; demanda possivelmente mais lenta no curto prazo, mas sem interrupções. A avaliação central permanece: mesmo em conflitos, alimentos seguem fluindo, ainda que com custos mais altos.
No caso do trigo, a alta de tensões se soma à guerra no Mar Negro Além do Oriente Médio, o Mar Negro também vive intensificação de ataques. A Rússia atingiu estruturas portuárias em Odessa, na Ucrânia, reacendendo preocupações com a oferta. Em meio ao ambiente instável, a Arábia Saudita surpreendeu o mercado ao adquirir 794 mil toneladas em uma licitação — acima das expectativas. Para a XP, trata-se de uma compra estratégica, voltada para garantir abastecimento enquanto a volatilidade aumenta.
Em proteínas, o frango é o mais exposto, enquanto bovino perde peso e suíno praticamente não é afetado.
Para carne bovina, as exportações brasileiras para Oriente Médio e Norte da África recuaram de 19% em 2024 para 13% em 2025. Os países diretamente afetados representam apenas 4% do total. Para o Irã, o fluxo tende a ser mantido por meio de triangulações comerciais, como ocorreu em outros episódios de tensão.
A carne de frango é o segmento mais sensível. Enquanto os países impactados pelo conflito respondem por 21% das exportações brasileiras de 2025 — volume significativo para uma região altamente dependente de importações. Embora custos subam, a expectativa é que o fluxo continue para evitar desabastecimento.
No caso da carne suína, o impacto é mínimo. A região majoritariamente muçulmana e judaica, o Oriente Médio tem consumo irrelevante de carne suína e não influencia o comércio brasileiro.
Em relatório focado em MBRF (MBRF3), o Goldman Sachs estima que a região do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) e a Turquia, juntas, respondam por cerca de 11% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado da companhia. A visão é de que. embora a redução de atividade no Estreito de Ormuz possa criar desafios logísticos temporários, acredita que o modelo de negócios local da BRF oferece vantagens competitivas estruturais que podem mitigar interrupções operacionais. Além disso, um dólar mais forte e preços potencialmente mais baixos do milho podem ser fontes de alta, mantendo recomendação de compra para as ações de MBRF.
A MBRF está analisando potenciais rotas alternativas para proteger sua cadeia de suprimentos e reconhece que os prazos de entrega podem ser temporariamente estendidos. Como a companhia opera localmente, conta com estoques nos próprios mercados e uma rede de distribuição direta, o que pode ajudar a sustentar as operações de curto prazo em meio à maior volatilidade. A gestão afirmou que as operações da MBRF na região não foram diretamente afetadas pelos ataques e que o foco atual está em garantir a segurança das equipes locais.
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