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Imagens da Ucrânia indicam uso de míssil da Rússia em meio a colapso do pacto nuclear

Imagens da Ucrânia indicam uso de míssil da Rússia em meio a colapso do pacto nuclear

26/02/2026 às 17h56
Por: Redação Fonte: Reuters
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Imagens da Ucrânia indicam uso de míssil da Rússia em meio a colapso do pacto nuclear

Imagens da Ucrânia indicam uso de míssil da Rússia em meio a colapso do pacto nuclear.

 

Desenvolvimento do míssil levou presidente Donald Trump a abandonar acordo nuclear.

LONDRES, 26 Fev (Reuters) – Imagens de destroços de ataques russos na Ucrânia indicam que ⁠Moscou usou um míssil de cruzeiro cujo desenvolvimento levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a ⁠abandonar um acordo nuclear histórico em seu primeiro mandato, disseram dois especialistas, confirmando informações anteriores da Reuters.

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Os especialistas basearam sua análise em imagens ‌de fragmentos do míssil com capacidade nuclear, fornecidas à Reuters por três fontes da polícia ucraniana. Essa é a primeira evidência visual publicada até o momento que corrobora o uso da arma pela Rússia.

Seu uso dezenas de vezes na Ucrânia é um exemplo de como a estrutura de controle de ‌armas nucleares que emergiu da Guerra Fria desmoronou nos últimos anos. Este mês marcou o vencimento do Novo START, o tratado nuclear que impunha limites às armas estratégicas dos EUA e da Rússia.

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O desenvolvimento do míssil 9M729 pela Rússia levou Trump a abandonar em 2019 o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), então um pilar do controle de armas nucleares. A alegação era de que o míssil lançado do solo poderia voar muito além do limite permitido de 500km (310 milhas).

Em um comunicado escrito divulgado em novembro, a Procuradoria-Geral da Ucrânia informou à Reuters que um dos mísseis 9M729 disparados pela Rússia em 5 ⁠de ‌outubro do ano passado percorreu mais de 1.200km.

Fragmentos encontrados

O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, e fontes disseram à Reuters em outubro que a Rússia disparou ⁠o míssil 9M729 contra a Ucrânia duas vezes em 2022 e 23 vezes entre agosto e outubro do ano passado. Esses foram os primeiros usos de combate conhecidos do míssil em qualquer lugar do mundo.

A Rússia disparou pelo menos mais quatro mísseis contra a Ucrânia em 17 de fevereiro, segundo uma fonte policial, sendo esta a primeira vez que esses casos foram relatados. A fonte acrescentou que também houve outros usos desde outubro.

‘As imagens realmente parecem mostrar o 9M729. Além das marcas, os destroços são semelhantes aos de outros mísseis de cruzeiro relacionados ao 9M729’, disse ​Jeffrey Lewis, distinto acadêmico de Segurança Global no Middlebury College, em Vermont.

Analistas da Janes, uma empresa de inteligência de defesa sediada no Reino Unido, disseram à Reuters que havia uma grande probabilidade de os destroços mostrados nas dez imagens terem vindo do míssil 9M729 lançado do solo.

Fontes policiais ​disseram que as imagens mostram fragmentos recuperados nas regiões de Zhytomyr, Lviv, Khmelnytskyi e Vinnytsia, todas no oeste da Ucrânia.

A Reuters não conseguiu verificar onde e quando as fotografias dos fragmentos foram tiradas.

Uma das peças possui o número de série 0274, enquanto outras trazem a marcação 9M729. Em outro caso, um repórter da Reuters viu um fragmento com a marcação 9M729, mas foi solicitado por um agente da lei ucraniano a não fotografá-lo para publicação.

O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu ao pedido de comentário para este artigo.

Preocupações na Europa

A Rússia reconheceu a existência do míssil, mas negou que ele violasse o ‌tratado de 1987 e afirmou que ele poderia voar até a distância permitida.

Um dos mísseis 9M729 disparados ​pela Rússia em 5 de outubro atingiu uma casa na vila de Lapaiivka, perto de Lviv, resultando na morte de cinco civis, informou o Ministério Público da Ucrânia em comunicado — a mais de 1.200km do ponto de onde foi disparado.

O uso dos mísseis está sendo investigado em oito regiões diferentes, acrescentou.

O Tratado INF proibiu especificamente mísseis lançados do solo com alcance superior ⁠a 500km, porque seus lançadores são mais fáceis de ocultar, tornando-os ​uma ameaça potencial maior do que aviões ​de guerra ou navios equipados com mísseis que são monitorados pelas forças armadas.

Desde novembro de 2024, a Rússia também atacou a Ucrânia duas vezes com o Oreshnik, um novo míssil balístico terrestre de ⁠alcance intermediário que também teria sido proibido pelo Tratado INF.

Tanto o míssil 9M729 quanto ​o Oreshnik podem transportar uma ogiva nuclear ou convencional, e seu alcance coloca as capitais europeias ao seu alcance.

De acordo com o site Missile Threat, produzido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, o míssil 9M729 tem um alcance de 2.500km.

Vários países da Otan na Europa estão agora tentando comprar ou desenvolver suas próprias armas de ​longo alcance e ataque profundo para reduzir a diferença em suas capacidades de dissuasão com a Rússia.

Alguns governos europeus temem que os EUA não estejam mais comprometidos com a proteção da Europa. Washington afirmou aos europeus que eles devem assumir a responsabilidade principal ​pela defesa convencional do continente.

Em agosto passado, a Rússia ⁠afirmou que não imporia mais limites aos locais onde implantaria mísseis de alcance intermediário capazes de transportar ogivas nucleares.

Por que a Rússia disparou?

Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, há quatro ⁠anos, a Rússia lançou milhares de drones e mísseis contra o país. Mais recentemente, durante o inverno mais rigoroso da guerra, os ataques foram direcionados à infraestrutura de energia e aquecimento da Ucrânia.

Não ficou claro por que a Rússia estava usando o míssil 9M729.

Lewis, o analista de mísseis, disse ser surpreendente que a Rússia estivesse disposta a perder informações sensíveis ao usar o míssil com capacidade nuclear na Ucrânia, o que permite que especialistas militares estudem seu desempenho em combate e examinem fragmentos da arma.

‘A Rússia pode ter um estoque relativamente pequeno de mísseis de cruzeiro sofisticados e, portanto, está disposta a recorrer ao seu estoque de longo alcance’, afirmou.

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