
A confiança do setor varejista recuou em fevereiro, interrompendo uma sequência de cinco meses sem quedas. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), divulgado pelo FGV IBRE, caiu 4,0 pontos, para 87,3 pontos.
Na média móvel trimestral, houve recuo de 0,3 ponto, para 89,0 pontos.
O resultado reflete deterioração tanto nas expectativas quanto na percepção sobre a situação atual dos negócios.
O Índice de Expectativas (IE-COM) caiu 4,2 pontos, para 89,5 pontos, após cinco altas consecutivas.
O indicador que mede as perspectivas de vendas para os próximos três meses recuou 5,8 pontos, para 92,1 pontos. Já o que avalia a tendência dos negócios nos próximos seis meses caiu 2,3 pontos, para 87,3 pontos.
Segundo Geórgia Veloso, economista do FGV IBRE, a reversão interrompe um movimento favorável observado na virada do ano.
“A confiança do comércio caiu após cinco meses sem resultados negativos, tendo como principal fator uma reversão na tendência das expectativas. A queda foi influenciada principalmente pelo recuo nas projeções de vendas para os próximos meses”, afirmou.
Ela acrescenta que o varejo inicia 2026 em ambiente desafiador, sem perspectiva de alívio da política monetária no curto prazo e com alto endividamento das famílias, apesar da sustentação da renda pelo mercado de trabalho.
O Índice de Situação Atual (ISA-COM) também caiu, recuando 3,9 pontos, para 85,6 pontos, o menor nível desde abril de 2021.
O indicador que mede a avaliação sobre a situação atual dos negócios caiu 2,9 pontos, para 86,2 pontos. Já o indicador de volume de demanda atual recuou 4,8 pontos, para 85,4 pontos, menor nível desde fevereiro de 2022.
O movimento sugere maior cautela dos empresários quanto à sustentação da demanda nos próximos meses.
O Indicador de Desconforto do Comércio, que mede a frequência com que fatores como demanda insuficiente, custo financeiro e acesso ao crédito são citados como limitantes, apresentou queda após meses de alta.
A redução foi associada principalmente à menor incidência da demanda insuficiente como fator limitativo.
“Esse movimento pode sinalizar que a queda no indicador de demanda atual tenha caráter pontual, uma vez que a demanda vem deixando de figurar como uma preocupação central entre os empresários do setor”, afirmou Veloso.
Mesmo com esse alívio no indicador de desconforto, a queda disseminada da confiança nos seis principais segmentos do comércio indica que o setor começa 2026 com postura mais cautelosa diante do cenário macroeconômico.
Consumo Páscoa 2026: Lacta aposta em sabores “queridinhos” e maior corredor de ovos do mundo
Consumo Delivery amadurece e refeição fora de casa cresce 32,75% em SP
Consumo Sites falsos anunciam pré-venda de álbum de figurinhas da Copa do Mundo; veja mais Mín. 20° Máx. 29°