
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar parte das tarifas impostas por Donald Trump muda o equilíbrio de forças na disputa comercial com a China e cria um novo fator de pressão interna sobre o presidente americano. A avaliação é do professor de Direito Internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), Evandro Carvalho, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o especialista, Trump deve chegar à próxima viagem à China em uma posição mais frágil do que a prevista inicialmente, após a Suprema Corte retirar sua principal ferramenta de pressão comercial: as tarifas.
“Eu acho que ele vai chegar à China com uma relativa posição de fraqueza inesperada por ele”, afirmou o professor.
Para Evandro, a política tarifária de Trump não produziu os resultados econômicos esperados. Ele destacou que, enquanto os Estados Unidos cresceram 2,2% no último ano, a China avançou 5%, atingindo a meta estabelecida por Pequim. Além disso, o superávit comercial chinês com o mundo chegou a US$ 1,2 trilhão.
Nesse contexto, a derrubada das tarifas pela Suprema Corte retira de Trump um instrumento relevante de barganha diplomática às vésperas de encontros com o presidente Xi Jinping.
“Dentro do próprio Estado americano, há uma discussão intensa entre os poderes”, observou, apontando que a instabilidade institucional reduz previsibilidade e dificulta negociações externas.
O professor também chamou atenção para outro efeito potencial da decisão: a abertura de uma onda de disputas judiciais por parte de empresas que podem buscar restituição das tarifas consideradas ilegais.
Na avaliação dele, isso amplia o estresse interno e pode gerar impactos fiscais e políticos que ultrapassem o atual mandato.
“Isso cria uma situação que não favorece os Estados Unidos”, disse. “Até que isso se resolva, é um componente de estresse interno importante.”
Para o especialista, a instabilidade jurídica e política tende a afetar o ambiente de negócios, já que empresas evitam cenários de elevada incerteza.
Ao comparar os dois modelos, Evandro destacou que a China apresenta maior estabilidade estratégica.
“Você tem uma política externa mais estável, mais uniforme, mais constante, mais previsível”, afirmou, acrescentando que esse fator favorece o país asiático nas relações internacionais.
Ele também destacou que, além do PIB nominal, é relevante analisar a distribuição de renda e o fortalecimento do mercado interno. Segundo o professor, a ampliação da classe média chinesa, estimada em cerca de 400 milhões de famílias, reforça o poder de consumo do país e sua atratividade comercial.
Sobre Taiwan, tema sensível na relação entre Washington e Pequim, Evandro avaliou que Trump não tem demonstrado colocar a ilha como prioridade central de sua política externa.
“Tudo dá sinais de que o Trump não me parece estar colocando Taiwan como uma grande prioridade”, afirmou.
Para ele, resta saber como a China poderá explorar essa percepção no avanço de seus próprios objetivos estratégicos.
“Resta saber como é que a China irá tirar proveito dessa situação para levar adiante o objetivo da República Popular da China”, concluiu.
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