
Documento da agência de representação comercial americana reforça recado de que Brasil segue na mira.
Poucas horas após anunciar que elevaria por meio de outra lei as tarifas de importação sobre países de todo o mundo, em reação à derrubada das tarifas pela Suprema Corte americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas desleais.
Essa investigação sobre o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, teve início em julho do ano passado. Trump escreveu uma carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informando, na época, sobre o tarifaço de 50% e sobre uma investigação comercial sobre práticas e políticas do Brasil.
Em nota, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), agência de representação comercial americana, afirmou na noite de sexta-feira as medidas que o governo Trump tomaria, dentre elas: “Prosseguir com as investigações em andamento da Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China.”
“Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, conclui.
A citação ao Brasil na nota da agência é um recado claro ao governo brasileiro de que, apesar da decisão da Suprema Corte americana, o Brasil continua na mira de Trump e de sua política comercial protecionista. Quando anunciada a investigação comercial pelos EUA, o documento citava de Pix a redes sociais, passando por desmatamento ilegal a práticas de corrupção.
A nota também informa que o governo americano pretende manter as tarifas já aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, além de concluir investigações em curso e abrir novas apurações sob a Seção 301.
A agência também enfatizou que o governo Trump está empenhado em seguir implementando a política comercial do presidente, cerne de sua campanha e agenda, por meio do esforço de “reorientação do sistema de comércio global em benefício dos trabalhadores e empresas americanas”.
O argumento de Trump é que o déficit comercial disparou durante a gestão do ex-presidente Joe Biden e que a produção industrial e agrícola americana têm sido deslocadas do país, enquanto enriquece países, empresas e trabalhadores estrangeiros.
Mas a política protecionista adotada pelo republicano, até o momento, não conteve o déficit comercial americano. Dados de dezembro de 2025 mostram que o déficit no comércio exterior aumentou e chegou a US$ 901,5 bilhões no ano passado, o maior da série histórica, segundo o New York Times.
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