Sábado, 07 de Março de 2026
21°

Parcialmente nublado

Caruaru, PE

Política Política

Decisão de Flávio Dino amplia pressão no Congresso por lei sobre supersalários

Decisão de Flávio Dino amplia pressão no Congresso por lei sobre supersalários

20/02/2026 às 09h48
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
Compartilhe:
Decisão de Flávio Dino amplia pressão no Congresso por lei sobre supersalários

Decisão de Flávio Dino amplia pressão no Congresso por lei sobre supersalários.

 

Medida do ministro do STF é vista por deputados e senadores como estímulo para que o Legislativo regulamente as chamadas verbas indenizatórias.

A nova decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir a criação de benefícios que ultrapassem o teto constitucional do serviço público foi apoiada por parlamentares, que passaram a defender a aprovação de uma lei geral para disciplinar o pagamento de verbas indenizatórias. O objetivo é conter o pagamento dos chamados supersalários.

Continua após a publicidade
Anúncio

Deputados e senadores avaliam que a medida reforça a necessidade de o Congresso estabelecer regras uniformes para evitar que diferentes Poderes e órgãos autônomos criem mecanismos próprios de remuneração que acabam permitindo pagamentos acima do limite constitucional, hoje fixado em R$ 46,3 mil.

— O Congresso precisa fazer uma lei para enfrentar esse tema de forma estrutural. Isso está colocado na própria decisão do ministro Dino — afirmou o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), autor da proposta de reforma administrativa que prevê medidas para restringir penduricalhos no serviço público.

Continua após a publicidade
Anúncio

Na mesma linha, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) defendeu que cabe ao Legislativo assumir a regulamentação do tema.

— O Congresso precisa legislar para cumprir seu papel, retomando para si essa responsabilidade. Além do princípio legal, o ministro Dino levanta uma bandeira moral que a sociedade exige, contra os penduricalhos — afirmou.

Governistas e oposição

O diagnóstico encontra respaldo tanto entre parlamentares da base governista quanto da oposição. O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também elogiou a decisão e defendeu a rápida regulamentação do tema pelo Congresso.

— Decisão ótima. É preciso que a gente regulamente logo isso. Quero ver se consigo propor uma lei, vou enviar um ofício para o Dino e ver se ele tem sugestões — disse.

Há, contudo, críticas à atuação do ministro. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que a discussão deveria ser conduzida pelo Legislativo.

— Julgo que ele (Dino) deveria voltar para o Legislativo. O autoritarismo de velho comunista não o abandona.

Presidente da Câmara

A elaboração de uma norma geral sobre o tema já foi defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou, no início do mês, que o Congresso deverá assumir o debate diante da cobrança da opinião pública.

— Com a mesma coerência de quem defende a reforma administrativa, nós estamos aqui para dizer que a decisão do ministro Dino foi feliz. Vamos fazer essa discussão, porque é isso que a sociedade nos cobra — declarou Motta.

A decisão

A decisão mantém e amplia liminar concedida no início de fevereiro, determinando que órgãos dos Três Poderes detalhem, em até 60 dias, todos os pagamentos realizados acima do teto e proibindo a criação de novas leis ou atos administrativos que instituam benefícios capazes de contornar o limite remuneratório.

Reservadamente, parlamentares admitem que a intervenção do STF acaba funcionando como um freio institucional diante da dificuldade política do próprio Congresso em avançar sobre medidas que restrinjam vantagens remuneratórias. Segundo um deputado ouvido pela reportagem, a medida evita novo desgaste público semelhante ao registrado em debates recentes sobre benefícios concedidos a carreiras do serviço público, além de inviabilizar a derrubada do veto do presidente Lula sobre o projeto que permitia extrateto a servidores do Legislativo.

A manifestação de Dino foi proferida no julgamento de embargos apresentados em reclamação movida por procuradores municipais de São Paulo, mas teve seus efeitos ampliados diante do que o ministro classificou como descumprimento “massivo e generalizado” da jurisprudência do STF sobre o teto constitucional. No despacho, Dino afirmou ter havido uma “multiplicação anômala” de verbas indenizatórias utilizadas para elevar remunerações além do limite previsto na Constituição.

O tema deve voltar ao plenário do Supremo no próximo dia 25. Integrantes do Congresso avaliam que o julgamento tende a ampliar a pressão para que deputados e senadores avancem na elaboração de uma norma nacional capaz de uniformizar critérios para pagamentos indenizatórios e reduzir disputas recorrentes entre Legislativo, Judiciário e órgãos de controle sobre o alcance do teto salarial.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.