
Procuradoria apura se José Jerí nomeou de maneira ilegal nove mulheres a cargos públicos; oposição coleta assinaturas para destituí-lo.
A Procuradoria-Geral do Peru abriu nesta sexta-feira, 13, investigação preliminar contra o presidente interino José Jerí por suspeita de tráfico de influência, ante o possível envolvimento do mandatário na nomeação de nove mulheres para funções governamentais.
Jerí assumiu o poder em 10 de outubro de 2024, após o impeachment da ex-presidente Dina Boluarte, em meio a protestos contra a escalada de extorsões e homicídios por encomenda. Aos 39 anos, tornou-se o oitavo chefe de Estado peruano em menos de dez anos.
Segundo documento obtido pela agência AFP, o presidente será interrogado pelo procurador-geral Tomás Gálvez em 2 de março. A investigação examina se Jerí exerceu influência indevida nas contratações, realizadas entre outubro e janeiro.
O caso veio a público por meio de reportagem do programa televisivo Cuarto Poder. A matéria revelou a contratação de cinco mulheres para posições na Presidência da República e no Ministério do Meio Ambiente após encontros com Jerí entre outubro e novembro.
Há uma semana, a Presidência da República classificou a divulgação como “uso malicioso e tendencioso”. A nota oficial também denunciou a reportagem como ataque “à dignidade e à reputação” das envolvidas.
Esta é a segunda investigação que Jerí enfrenta. A primeira apura o crime de “patrocínio ilegal de interesses” após a revelação de reunião secreta com empresário chinês que mantém contratos com o governo peruano.
Enquanto a Procuradoria avança nas investigações, a oposição de esquerda e blocos de direita buscam aprovar moção de impeachment por “má conduta e inaptidão”. Os parlamentares precisam de 78 assinaturas para convocar sessão plenária extraordinária.
Se a moção for admitida para debate, Jerí terá que comparecer ao Congresso e “fornecer as explicações necessárias sobre as graves questões relativas à sua conduta no cargo”. A sessão extraordinária será convocada “dois ou três dias após a admissão da moção”, informou à AFP o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi.
A destituição exige 66 votos. Caso seja aprovada, o Legislativo elegerá imediatamente novo presidente do Congresso, que assumirá automaticamente a presidência da República.
Imunidade protege mandatário até julho
Jerí possui imunidade parlamentar durante o mandato. Somente poderá responder a processos criminais após julho, quando deixará o cargo para dar lugar ao presidente eleito nas eleições de abril.
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