
Líderes alemão e francês respondem a Trump e defendem autonomia estratégica do continente diante de crise na Otan
“Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão fortes o suficiente para agir sozinhos”, afirmou o primeiro-ministro alemão Friedrich Merz, dirigindo-se aos americanos, na Conferência de Segurança de Munique, que acontece entre esta sexta-feira, 13, e domingo, 15, na Alemanha.
Merz e o presidente francês Emmanuel Macron criticaram a política externa de Donald Trump e defenderam que a Europa precisa fortalecer sua capacidade de agir de forma independente dos Estados Unidos.
“Caros amigos, fazer parte da Otan não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa. É também uma vantagem competitiva para os EUA”.
Segundo o chanceler alemão, a ordem internacional baseada em regras não existe mais, e nem a maior potência mundial consegue enfrentar sozinha os desafios geopolíticos atuais.
Horas depois, Macron rejeitou as críticas que Trump e aliados fazem à Europa. O presidente francês, que também discursou em inglês, rebateu ponto por ponto a narrativa que desqualifica o continente.
“A Europa tem sido vilipendiada como uma construção envelhecida, lenta e fragmentada, relegada pela História. Como uma economia excessivamente regulamentada e apática que se esquivaria da inovação. Como uma sociedade presa fácil de migrações bárbaras que corromperiam suas preciosas tradições. E, ainda mais curiosamente, em certos círculos, como um continente repressivo onde a liberdade de expressão não existiria”, disse Macron.
O presidente francês também alertou que não há solução para a guerra na Ucrânia sem participação europeia. A fala responde às tentativas de Trump de negociar o fim do conflito sem envolver os países do continente, que armaram a Ucrânia e terão papel determinante na segurança pós-guerra.
“Não há paz sem os europeus”, afirmou. “Podem negociar sem os europeus, se preferirem, mas isso não trará a paz à mesa de negociações”.
As declarações antecipam a fala do secretário de Estado americano, Marco Rubio, prevista para sábado. Os aliados europeus aguardam sinais sobre a direção da política externa de Washington.
Antes da conferência, fundada em 1963, oito ex-embaixadores dos EUA na Otan e oito ex-comandantes americanos na Europa divulgaram carta aberta pedindo que Washington mantenha o apoio à aliança. Segundo eles, a Otan é um “multiplicador de forças” que permite aos EUA exercer poder e influência de formas que seriam “impossíveis ou proibitivamente caras de se alcançar sozinhos”.
A pressão europeia tem base em ações concretas do governo Trump. Nos últimos 12 meses, os EUA impuseram tarifas contra produtos europeus, defenderam termos de paz na Ucrânia vistos como favoráveis à Rússia, ameaçaram tomar a Groenlândia da Dinamarca e cortaram financiamento da ONU.
Há um ano, o vice-presidente JD Vance atacou políticas migratórias europeias e disse que a liberdade de expressão estava “em declínio” no continente.
Internacional Psicóloga brasileira some na Inglaterra; Itamaraty acompanha o caso
Internacional VEJA VÍDEO: Aeroporto de Dubai é atacado por drones; voos foram suspensos
Internacional Trump volta a sinalizar ação contra Cuba e elogia Delcy Rodríguez, da Venezuela. Mín. 21° Máx. 30°