
Em 13 de fevereiro de 1863, o solo de Alagoinhas tremeu de uma forma diferente. Não era um fenômeno da natureza, mas o peso do progresso que chegava sobre trilhos. Naquele dia – há exatos 163 anos –, a cidade conhecida como Pórtico de Ouro do Sertão Baiano era o destino final da primeira viagem de trem de passageiros da história da Bahia. A locomotiva e os vagões, vindos da capital Salvador, inauguravam uma estrada de ferro que elevaria e levaria o nome de Alagoinhas por todos os cantos.
Fundadora da Fundação Iraci Gama de Cultura (Figam), a professora Iraci Gama afirma, com orgulho, que o trem não chegou por acaso. “Foi a produção de fumo, dos nossos engenhos e a força do trabalho local que atraíram os trilhos, transformando Alagoinhas no maior entroncamento ferroviário do Norte e Nordeste brasileiro”, diz.
Para Iraci, falar da linha férrea é evocar as saudosas “Marias Fumaça” que realizavam o transporte de pessoas, matérias-primas e conduziam um futuro de desenvolvimento a partir da conexão entre Salvador, a região Metropolitana e o Agreste da Bahia.
“No século XIX, o governo tinha outros planos, queria levar os trilhos por Cachoeira, mas a força da nossa terra falou mais alto. O trem precisava passar por aqui, porque Alagoinhas já era um coração pulsante de produção. Como ignorar os fardos de fumo que saíam das nossas vilas? Como desprezar a riqueza que brotava dos nossos engenhos? A ferrovia veio para Alagoinhas por uma necessidade logística, é verdade, mas ela ficou porque encontrou um povo vocacionado ao trabalho”, ressalta Iraci Gama.
Trilhos do futuro
Neste 13 de fevereiro de 2026, a história da primeira viagem de passageiros da Bahia ganha um novo significado. O projeto do Governo do Estado, de implantar o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) no trajeto de Salvador a Alagoinhas, passando por Camaçari e Simões Filho, traz à tona o velho desejo de retorno do transporte ferroviário, e as lembranças do passado abrem espaço para a esperança em um futuro no qual o trem volte a ser veículo de desenvolvimento da região.
Para Iraci Gama e para todos os entusiastas do modal, o projeto de ligar Salvador a Alagoinhas é uma reparação histórica. “Países civilizados usam o trem como transporte básico. Isso trará um futuro no qual o apito voltará a ser o relógio da nossa gente. Quem sabe em um próximo 13 de fevereiro, não estaremos na plataforma para embarcar e desembarcar passageiros? Alagoinhas merece, a Bahia precisa e a nossa história exige que o trem volte a correr pelas veias da nossa terra”, conclui a fundadora da Figam.
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