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‘Elemento-chave’: Núcleo da Terra pode abrigar ‘oceanos’ de hidrogênio, diz estudo

‘Elemento-chave’: Núcleo da Terra pode abrigar ‘oceanos’ de hidrogênio, diz estudo

12/02/2026 às 13h25
Por: Redação Fonte: Infomoney
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‘Elemento-chave’: Núcleo da Terra pode abrigar ‘oceanos’ de hidrogênio, diz estudo

‘Elemento-chave’: Núcleo da Terra pode abrigar ‘oceanos’ de hidrogênio, diz estudo.

 

Pesquisa estima que o interior do planeta concentre até 45 vezes mais hidrogênio do que todos os oceanos de superfície, reforçando a ideia de que a água foi incorporada já na formação da Terra.

O núcleo da Terra pode ser o maior reservatório de hidrogênio do planeta, abrigando o equivalente a até 45 “oceanos” desse elemento, segundo estimativas de um estudo publicado na revista Nature Communications.

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Os pesquisadores calculam que o hidrogênio responda por algo entre 0,07% e 0,36% do peso total do núcleo. Mesmo no cenário mais conservador, isso representaria cerca de nove vezes o volume de hidrogênio presente em todos os oceanos da superfície.

Se os resultados forem confirmados, eles reforçam a hipótese de que a Terra adquiriu a maior parte de sua água – e, portanto, do seu hidrogênio – ainda durante a fase de formação do planeta, há mais de 4,5 bilhões de anos, e não somente depois, via impactos de cometas e asteroides ricos em gelo.

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“O núcleo da Terra teria armazenado a maior parte da água no primeiro milhão de anos da história do planeta”, explicou o autor principal do estudo, Dongyang Huang, da Universidade de Pequim, em entrevista à CNN.

A superfície, onde está a vida, seria justamente a camada com menor fração desse recurso.

Para chegar a esses números, os cientistas usaram experimentos em condições extremas, replicando em laboratório as altíssimas pressões e temperaturas do núcleo.

Amostras de ferro – metal predominante no interior terrestre – foram comprimidas em células de bigorna de diamante e aquecidas com laser.

Em seguida, os pesquisadores recorreram a uma técnica avançada, a tomografia de sonda atômica, que permite “contar” átomos um a um em escala nanométrica, medindo diretamente a presença de hidrogênio e sua relação com outros elementos, como silício e oxigênio.

Os resultados ainda carregam incertezas importantes.

Especialistas que não participaram do trabalho, como o professor Kei Hirose, da Universidade de Tóquio, apontam que parte do hidrogênio pode escapar das amostras durante a descompressão, o que tornaria o valor real ainda maior do que o estimado. Trabalhos anteriores do próprio Hirose sugerem que o hidrogênio poderia chegar a 0,2%–0,6% da massa do núcleo.

Mesmo assim, a nova abordagem é vista como um avanço relevante para entender como o interior do planeta armazena elementos voláteis e como isso se conecta à origem da água e à evolução do campo magnético terrestre – condição essencial para a habitabilidade.

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