
As abelhas vivem em colmeias, nós em cidades. São insetos, nós mamíferos. Mas um estudo internacional revelou que talvez não sejamos tão diferentes assim. A descoberta promete mudar a forma como entendemos a vida em sociedade e até mesmo como pensamos a evolução.
Por que tantas espécies escolhem viver em sociedade? Enquanto alguns animais preferem a solidão, outros só sobrevivem em grupo. Foi para tentar responder a essa questão que cientistas decidiram olhar para as abelhas, conhecidas por sua organização complexa dentro da colmeia.
A ideia era simples, mas ousada: procurar no DNA das abelhas pistas que explicassem por que seres vivos se unem em coletivos cooperativos.
Os pesquisadores acompanharam 357 abelhas-operárias em colmeias de vidro, onde cada indivíduo foi identificado e monitorado. O foco estava em um comportamento curioso: a trophallaxis, ou seja, o ato de compartilhar alimento de boca em boca.
Segundo o estudo publicado na PLOS Biology, além de registrar cada troca de alimento, os cientistas sequenciaram o genoma das abelhas e mediram a atividade de seus cérebros. Assim, foi possível ligar comportamento e genética.
O resultado surpreendeu: 18 variantes genéticas apareceram ligadas ao nível de sociabilidade das abelhas. Entre elas, os genes neuroligin-2 e nmdar2, conhecidos por sua função em conexões cerebrais. De acordo com os pesquisadores, os mesmos genes já foram estudados em humanos por sua ligação com o autismo e outros distúrbios do comportamento social.
Ou seja: o que regula a vida coletiva das abelhas também influencia a forma como nós interagimos.
Humanos e abelhas se separaram na árvore-da-vida há cerca de 600 milhões de anos. Mesmo assim, parte da base genética da sociabilidade permaneceu. Esse fenômeno, chamado de conservação evolutiva, sugere que a cooperação não é apenas cultural, mas um traço biológico profundamente enraizado.
A pesquisa reforça que nossa capacidade de viver em sociedade não nasceu por acaso. Ela pode estar gravada em nosso DNA desde os primeiros passos da evolução. Ao revelar o que temos em comum com as abelhas, a ciência nos lembra que a cooperação é um instinto ancestral, tão vital quanto comer ou respirar.
Curiosidade Um fóssil de 490 milhões de anos acaba de preencher uma das lacunas mais intrigantes da história da vida na Terra
Curiosidade Enterrados há 1.300 anos, esses cães sagrados estão ajudando cientistas a entender o poder e os rituais dos antigos Andes
Curiosidade O gigantesco rubi de 11 mil quilates que está sendo chamado de “mãe de todas as pedras preciosas” foi encontrado
Curiosidade Cientistas encontraram um inseto de 100 milhões de anos com “garras de caranguejo” presas em âmbar
Curiosidade O fenômeno raro que faz pedras “andarem sozinhas” intriga cientistas até hoje.
Curiosidade O homem que ficou mais de 29 minutos sem respirar debaixo d’água bateu um recorde inacreditável
Mín. 19° Máx. 25°