
xVulnerabilidade da defesa e a dificuldade de criação é sintoma claro de que há muito o que melhorar, mesmo com foco em dar ritmo a jogadores no começo de temporada.
O título do Corinthians sobre o Flamengo na final da Supercopa, com uma vitória de 2 a 0 em Brasília, pode trazer conclusões precipitadas demais para um começo de temporada. Para o lado rubro-negro, a terceira derrota seguida do time comandado por Filípe Luís dá sensação de erro de planejamento, depois de um fim de 2025 com as conquistas da Libertadores e do Brasileiro. No Corinthians, que foi campeão da Copa do Brasil depois dos títulos do Flamengo no ano passado, é um sinal de esperança para um ano que tem tudo para ser mais uma vez complicado, diante da impossibilidade de grandes investimentos.
Por se tratar de um só jogo, o primeiro torneio decisivo significou em campo que a equipe paulista comandada por Dorival Junior pode ser competitiva em cenário nacional, mesmo sem a consistência para as principais disputas de longo prazo. A jogada ensaiada do primeiro gol, de Gabriel Paulista, a força de Yuri Alberto, autor de um golaço no fim, são a prova de um time bom de mata-mata.
Do outro lado, a estabilidade financeira do Flamengo não foi capaz de evitar que em campo o clube precise lidar com o fato do time titular estar abaixo, física e tecnicamente, ainda que tenha estreado Lucas Paquetá, contratação mais cara da história do futebol brasileiro. A expulsão de Carrascal por agressão a Breno Bidon na volta do intervalo também não absolve a atuação ruim do sistema defensivo, que sentiu bastante a pressão do Corinthians depois de um começo de jogo dominante. A vulnerabilidade da defesa e a dificuldade de criação é sintoma claro de que há muito o que melhorar.
— Nunca tinha visto algo assim. Os jogadores voltaram para o vestiário como se o lance fosse revisado. Quando ele foi para o VAR pensei em alguma estratégia para jogar melhor. O time conseguiu ficar com a bola, empurrar o Corinthians, mas não quero dar desculpa. Prefiro pensar que foi uma derrota. Se não vai começar crise, catástrofe, e eu preciso de tranquilidade. O Flamengo não está jogando mal. Os resultados são ruins — afirmou Filipe Luís, que tentou desviar o foco do desempenho abaixo do esperado mesmo para um início de temporada depois das demais equipes.
Ritmo a titulares
O técnico se referiu a ação do árbitro Rafael Klein, que analisou a imagem obtida pelo VAR e aplicou o cartão vermelho antes do reinício da partida, o que impediu qualquer ajuste na equipe no intervalo. Mas o lance não foi determinante para o desempenho do Flamengo, a não ser pelo fato de que mais uma vez a escalação de força máxima tinha por trás a intenção de dar ritmo aos titulares em função de uma temporada desgastante pela frente.
E o começo de jogo foi do Flamengo. Com domínio pleno, levou perigo diante de um Corinthians que se fechava. A primeira jogada aguda veio após escanteio. A bola desviada assustou. No rebote, Carrascal chutou em cima do goleiro Hugo Souza. Na sequência, em bola roubada no meio, Arrascaeta arrancou livre, serviu Pedro, que girou e finalizou mal. Plata passava livre para sair na cara do goleiro. Era uma versão do melhor que o Flamengo mostrou em 2025, mas que ficou pelo caminho ao longo da partida.
O Flamengo perdia aos poucos poder de criação, já que Arrascaeta seguiu bem abaixo do seu melhor nível e foi facilmente anulado. A partir de então, o Corinthians se adiantou em campo. Em jogada ensaiada no escanteio, Matheuzinho recebeu bola recuada, levantou na área e Gustavo Henrique escorou em cima de Varela para Gabriel Paulista, que chegou de trás para finalizar: 1 a 0.
Na sequência, quase veio o segundo. No contra-ataque no erro do Pulgar, Bidon avançou e tocou para Memphis, que recebeu livre mas chutou em cima de Rossi. Era a chance de matar o jogo. Antes do fim do primeiro tempo, veio o lance da agressão de Carrascal a Bidon. O jogo foi para o intervalo. E com a expulsão na volta, Filipe Luís mandou a campo Paquetá e tirou Pedro, mal na partida. Depois, colocou Bruno Henrique na vaga de Arrascaeta, também mal. Apesar disso, o Flamengo seguia com a sua defesa insegura. E por pouco não levou mais um gol.
Em lance de contra-ataque, Bidon lançou Yuri Alberto. No rebote da finalização do atacante, Memphis empurrou para o gol, mas o assistente assinalou impedimento. Nos minutos finais, Filipe Luis deixou mais espaços para os paulistas entrarem na área e assustarem mais uma vez, com Yuri Alberto. Para ter certeza de que a tarde não era do Flamengo, Paquetá perdeu um gol incrível na pequena área. Nem o maior reforço da história do futebol brasileiro deu jeito. O Corinthians matou o jogo no contra-ataque, com Yuri Alberto encobrindo Rossi e fazendo 2 a 0.
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