
Segundo a Folha de S.Paulo, auxiliares relatam que Lula vê desgaste para o STF e para o governo e avalia impacto político das suspeitas envolvendo o Banco Master e familiares de Toffoli.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado insatisfação com a atuação do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que apura irregularidades no Banco Master, segundo relatos feitos à Folha de S.Paulo por auxiliares do Planalto.
A apuração revelou que o petista acompanha de perto o andamento da investigação e, nos últimos dias, passou a sinalizar que não pretende assumir a defesa pública do magistrado diante das críticas que cercam o caso.
Segundo a reportagem, em conversas com auxiliares próximos, Lula chegou a mencionar a possibilidade de Toffoli deixar o tribunal, seja por renúncia ou aposentadoria. As falas teriam ocorrido em tom de desabafo, em meio à avaliação de que o episódio amplia a exposição negativa do STF e gera ruído político para o governo.
Apesar das críticas, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que é improvável que o presidente formalize qualquer pedido para que o ministro se afaste da relatoria ou do cargo.
Ainda assim, Lula indicou a interlocutores que pretende voltar a tratar do tema diretamente com Toffoli, retomando uma conversa que já havia ocorrido no fim do ano passado. Na ocasião, Lula teria defendido que todas as apurações fossem levadas até o fim e buscado garantias de que o tribunal manteria esse compromisso, mesmo com o sigilo em vigor.
Entre os pontos que mais incomodaram o presidente estão o nível elevado de sigilo imposto ao processo e reportagens que revelaram relações de familiares do ministro com estruturas financeiras ligadas ao Banco Master. Nos bastidores, Lula manifestou preocupação com a percepção de que a investigação possa perder força ou terminar sem responsabilizações.
O inquérito, segundo avaliações internas relatadas à Folha, tem potencial de atingir figuras políticas de diferentes campos, incluindo partidos da oposição e aliados do próprio governo. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém relações com nomes do centrão e também com lideranças petistas na Bahia, o que reforça a sensibilidade do caso no ambiente político.
Desde então, novas informações vieram à tona e aumentaram a pressão sobre Toffoli. O ministro, por sua vez, tem dito a interlocutores que não vê motivos para se declarar impedido ou suspeito, sustentando que episódios como uma viagem em avião particular com advogado ligado ao processo e negócios de familiares não comprometem sua imparcialidade.
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