
A Embraer projeta que as vendas e entregas de aviões comerciais retornem aos níveis históricos nos próximos dois anos, após um forte aumento da carteira de pedidos. A meta inicial é voltar ao patamar de cerca de 100 aeronaves comerciais entregues por ano, segundo a companhia.
Em 2025, a fabricante brasileira entregou 78 jatos comerciais, dentro da projeção divulgada anteriormente. O plano agora prevê um crescimento próximo de 30% na produção e nas entregas ao longo dos próximos 24 meses.
O avanço é sustentado pelo desempenho da família E2. No ano passado, a Embraer quadruplicou as vendas líquidas desses modelos, superando o A220, da Airbus, em cerca de três vezes.
Foram registrados 131 pedidos líquidos, incluindo encomendas de companhias como All Nippon Airways e Latam.
A Família A220 da Airbus é a continuação da C-Series, da canadense Bombardier, rival histórica da brasileira, comprada pela gigante europeia.
Segundo Arjan Meijer, presidente-executivo da divisão de Aviação Comercial, os gargalos de manutenção relacionados aos motores começaram a ser superados. A Pratt & Whitney, responsável pelos motores usados nos jatos da Embraer, conseguiu reduzir atrasos e escassez.
De acordo com o executivo, o número de aeronaves imobilizadas por problemas de manutenção caiu para um dígito, após ter atingido um pico entre 25 e 40 unidades. A expectativa é que esse número chegue a zero até o fim deste ano.
Meijer explicou que os motores utilizados no E2 apresentaram menos problemas de durabilidade por se tratarem de aeronaves menores, mais leves e que entraram em operação mais recentemente, evitando falhas observadas em fases iniciais de outros programas.
A avaliação contrasta com a disputa em curso entre Airbus e Pratt & Whitney sobre a escassez de motores Geared Turbofan, usados também em parte da família A320neo.
Apesar da melhora, a Embraer avalia que a cadeia global de suprimentos ainda precisa alcançar maior estabilidade ao longo de 2026. Componentes estruturais e motores seguem entre os pontos mais sensíveis, afetados por interrupções desde a pandemia.
Ainda assim, a empresa afirma que a demanda segue forte, impulsionada pela necessidade de renovação de frota, adiada por diversas companhias aéreas durante a crise sanitária.
Questionado sobre riscos geopolíticos, Meijer afirmou que a empresa monitora o cenário internacional, mas não observa retração na procura por aeronaves regionais.
Segundo ele, as companhias aéreas mantêm planos de substituição de frota e expansão, mesmo diante de incertezas econômicas e políticas.
A movimentação ocorre enquanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para visitar a Índia no próximo mês. Meijer evitou comentar rumores sobre um acordo para montagem de aeronaves no país.
Na semana passada, uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que o braço aeroespacial do bilionário Gautam Adani avalia uma parceria com a fabricante brasileira, informação não confirmada oficialmente.
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