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CEO da Nvidia diz que boom da IA criará mais empregos para encanadores e eletricistas

CEO da Nvidia diz que boom da IA criará mais empregos para encanadores e eletricistas

21/01/2026 às 12h48
Por: Redação Fonte: Bloomberg
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CEO da Nvidia diz que boom da IA criará mais empregos para encanadores e eletricistas

CEO da Nvidia diz que boom da IA criará mais empregos para encanadores e eletricistas.

 

Segundo Jensen Huang, construção de data centers deve gerar salários altos para profissionais vocacionais, enquanto automação avança sobre programadores juniores e outras funções de entrada.

À medida que a inteligência artificial ameaça virar de cabeça para baixo os mercados de trabalho em vários países, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, minimizou as preocupações de longo prazo e defendeu que profissionais técnicos e vocacionais já estão vendo a demanda aumentar.

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Encanadores, eletricistas e trabalhadores da construção civil vão conseguir “salários de seis dígitos”, graças à demanda pela construção de data centers que rodam e treinam sistemas de IA, disse Huang em entrevista ao CEO da BlackRock, Larry Fink, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira. Segundo ele, a tecnologia vai exigir uma das maiores expansões de infraestrutura da história, com trilhões de dólares em novos investimentos.

“Estamos vendo um boom bastante significativo nessa área. Os salários praticamente dobraram”, afirmou Huang. “Todo mundo deveria poder ter uma ótima renda. Você não precisa ter um PhD em ciência da computação para isso.”

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Os comentários de Huang ecoam declarações feitas em Davos na terça-feira pelo CEO da Palantir, Alex Karp, que elogiou trabalhadores com “formação técnica/profissional” e disse que a IA criaria mais empregos locais e praticamente eliminaria a necessidade de imigração em massa. Michael Intrator, da Coreweave, também mencionou a “fisicalidade” do boom da IA em um painel mais tarde na quarta-feira, com o CEO da empresa de data centers descrevendo a necessidade crescente de encanadores, eletricistas e carpinteiros.

Líder na fabricação de chips que alimentam e executam os modelos mais avançados de IA, a Nvidia vem se beneficiando da corrida para construir data centers. A empresa caminha para gerar quase US$ 200 bilhões em vendas de chips para data centers em 2025, segundo estimativa média de analistas compilada pela Bloomberg. Até agora, a maior parte da receita vem dos maiores construtores de data centers — Microsoft, Meta, Amazon.com e Alphabet —, mas a companhia vem fechando acordos também com um número crescente de operadores menores. Empresas de tecnologia já se comprometeram a gastar, em conjunto, US$ 500 bilhões em contratos de locação de data centers nos próximos anos.

O impacto da IA no mercado de trabalho já é sentido. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertou para um “banho de sangue entre colarinhos brancos” que poderia eliminar 50% das vagas de entrada. A Claude, IA da empresa, vem chamando atenção pela capacidade de programação, o que pode substituir parte do trabalho de desenvolvedores juniores.

“Estamos entrando em um mundo em que tarefas de engenheiros de software júnior — e talvez muitas das tarefas de engenheiros mais seniores — começam a ser feitas em grande parte por sistemas de IA. E isso vai avançar ainda mais”, disse Amodei em entrevista na Bloomberg House em Davos, na terça-feira. Embora ele acredite que os benefícios da tecnologia superarão os custos, Amodei vê alto desemprego e subemprego como riscos que precisam ser mitigados.

“Infelizmente, vai haver toda uma classe de pessoas que, em muitos setores, vai ter muita dificuldade para se adaptar”, afirmou.

Na quarta-feira, Fink evitou tocar em temas sensíveis com Huang, especialmente China. As vendas da Nvidia para o país são alvo de controvérsia, e a empresa aguarda uma definição sobre se poderá vender seus chips para o mercado chinês e em que volume. Na véspera, o próprio Amodei comparou o envio de chips da Nvidia para a China a “vender armas nucleares para a Coreia do Norte”.

Huang deve visitar a China no fim deste mês, enquanto tenta reabrir um mercado crucial para os chips de IA da companhia. É um momento decisivo para o negócio, após os EUA anunciarem um alívio parcial nas restrições à exportação de semicondutores para a China em vigor desde 2022. A Nvidia ainda está impedida de enviar seus chips de ponta ao país — o que limita a capacidade de Pequim de avançar na fronteira tecnológica da IA —, mas poderá vender modelos de geração anterior, como os chips H200.

A China, por sua vez, deve liberar as importações dos H200 para uso comercial nos três primeiros meses de 2026, embora não permita o uso desses chips em aplicações militares, órgãos sensíveis do governo, infraestrutura crítica ou empresas estatais, informou a Bloomberg News. Algumas das maiores big techs chinesas, como Alibaba e ByteDance, já manifestaram em privado interesse em encomendar mais de 200 mil unidades de cada um desses chips.

© 2026 Bloomberg L.P.

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