
Criada em 2020, a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), já se consolidou como um dos mais importantes em um cenário marcado pelo crescimento de crimes praticados no ambiente digital. A unidade especializada fechou o ano de 2025 com 353 casos solucionados, o que representa uma média de quase uma ocorrência esclarecida por dia no estado.
De janeiro a dezembro, a DCCiber realizou 138 operações, cumpriu 632 mandados judiciais e efetuou 325 indiciamentos. No mesmo período, foram apreendidos 402 celulares e 727 outros dispositivos e materiais eletrônicos, fundamentais para a produção de provas e identificação dos autores.
Os resultados, segundo o delegado e divisionário da DCCiber, Paulo Barbosa, refletem a atuação integrada entre investigação policial e inteligência técnica. A unidade conta com o Centro de Inteligência Cibernética (CIC), formado por policiais com conhecimento técnico avançado na área da informática, conhecidos pelos demais integrantes da divisão como “hackers”.
“Todos os policiais que atuam aqui possuem algum tipo de formação na área digital, seja por meio da faculdade ou de cursos de especialização desenvolvidos na Academia de Polícia. Enquanto alguns ficam focados na investigação e nas diligências nas ruas, os nossos policiais ‘hackers’ se dedicam àquilo que sabem fazer de melhor: navegar em áreas pouco conhecidas da internet”, explicou Barbosa.
Esse trabalho, que envolve o domínio de sistemas extremamente protegidos, resulta no rastreamento digital e na identificação de vínculos eletrônicos, contribuindo diretamente para o avanço das investigações.
Entre os principais crimes investigados pela DCCiber estão os golpes virtuais, que utilizam engenharia social e recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. Falsos gerentes de banco, perfis fraudulentos de investimentos em redes sociais, clonagem de números de telefone e pedidos de dinheiro feitos por supostos familiares estão entre as práticas mais comuns.
De acordo com o delegado, o uso de tecnologias como Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP), mascaramento de números e até inteligência artificial para simulação de vozes tem aumentado o poder de convencimento dos criminosos e dificultado a identificação dos golpes pelas vítimas.
“No golpe do falso gerente, por exemplo, a pessoa recebe uma ligação do mesmo número do banco, com a voz do gerente, algo que antes não era possível. O golpista informa sobre uma suposta tentativa de invasão na conta, diz que vai acionar protocolos de segurança e, com isso, a vítima fica preocupada e acaba fazendo tudo o que ele pede”, exemplificou. “O crime entendeu que é mais vantajoso atuar por trás de uma tela do que nas ruas.”
Além disso, segundo Barbosa, apesar da percepção comum de que idosos seriam as principais vítimas, jovens entre 16 e 25 anos figuram entre os grupos mais atingidos, justamente por serem os mais ativos nas redes sociais e plataformas digitais. “O golpe explora emoção, urgência e oportunidade. Quando a vítima age no automático, sem checar a informação, acaba facilitando a ação criminosa”, alertou o delegado.
A Polícia Civil reforça que bancos não solicitam dados, senhas ou procedimentos de segurança por links ou mensagens. A recomendação é sempre utilizar os aplicativos oficiais, desconfiar de promessas de ganhos fáceis e, em situações de dúvida, interromper a ação e confirmar a informação por outros meios, como uma ligação direta ao familiar ou à instituição
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