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Boeing sabia de falhas em avião de carga da UPS que caiu nos EUA, diz agência

Boeing sabia de falhas em avião de carga da UPS que caiu nos EUA, diz agência

15/01/2026 às 19h06
Por: Redação Fonte: The New York Times Company
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Boeing sabia de falhas em avião de carga da UPS que caiu nos EUA, diz agência

Boeing sabia de falhas em avião de carga da UPS que caiu nos EUA, diz agência.

 

Em um relatório divulgado na quarta-feira, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes NTSB informou que as rachaduras que aparentemente fizeram o motor esquerdo se soltar da asa do avião já tinham acontecido pelo menos outras quatro vezes em casos anteriores.

O Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) afirmou em um relatório divulgado nesta quarta-feira que o avião cargueiro da UPS que caiu em Louisville, Kentucky, em novembro, matando 15 pessoas, tinha uma falha estrutural que a fabricante Boeing havia concluído anteriormente que não afetaria a segurança do voo.

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O NTSB disse que rachaduras no conjunto que mantinha o motor esquerdo fixado podem ter contribuído para a queda em novembro, embora ainda não tenha apontado oficialmente uma causa. De acordo com o relatório, a peça havia se rompido de forma semelhante em pelo menos outras quatro ocasiões, em três aviões diferentes, citando um boletim de serviço que a Boeing emitiu em 2011 sobre a aparente falha.

No boletim de serviço — documento usado pelos fabricantes para alertar proprietários de aeronaves sobre questões de segurança ou outros problemas — a Boeing afirmou que as fraturas “não resultariam em uma condição que afetasse a segurança do voo”, escreveram os investigadores do NTSB.

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O avião que caiu era um jato MD-11F, fabricado pela McDonnell Douglas, empresa adquirida pela Boeing na década de 1990. A aeronave decolava de Louisville com destino ao Havaí em 4 de novembro, quando um incêndio começou em seu motor esquerdo pouco depois da decolagem.

O avião caiu sobre vários prédios, incluindo uma instalação de reciclagem de petróleo, na região do Aeroporto Internacional Louisville Muhammad Ali. Os três tripulantes a bordo e 11 pessoas em solo morreram na queda; uma 12ª pessoa em terra morreu em decorrência dos ferimentos sofridos no episódio.

Em comunicado, um representante da Boeing afirmou que a empresa apoia a investigação do NTSB e expressou condolências às famílias das vítimas. A companhia, uma das maiores fabricantes de aviões do mundo, tem sido pressionada nos últimos anos por preocupações relacionadas ao seu controle de qualidade. Ela não comentou especificamente as conclusões do relatório em sua nota.

Após o acidente, a Boeing recomendou que todos os MD-11 fossem mantidos em solo enquanto o NTSB conduzia sua investigação. A UPS também anunciou que retiraria sua frota de MD-11 de operação, e a Administração Federal de Aviação (FAA) emitiu uma proibição temporária para voos desse modelo, alegando preocupação de que um descolamento semelhante de motor “poderia resultar na perda da segurança de voo e pouso continuados”.

Em um relatório inicial divulgado em novembro, investigadores do NTSB observaram que partes do conjunto de mancais que conectava o motor esquerdo à asa do avião cargueiro haviam se rompido e apresentavam sinais de “rachaduras por fadiga” e “falha por sobrecarga”. Segundo o relatório mais recente do NTSB, a Boeing havia recomendado em seu boletim de serviço que a peça fosse inspecionada a cada 60 meses como parte de uma inspeção visual geral.

O relatório preliminar do NTSB indicou que a política da UPS era inspecionar a peça como parte de uma inspeção visual geral a cada 72 meses, e que ela havia sido examinada pela última vez em 28 de outubro de 2021 — cerca de 49 meses antes do acidente. O relatório preliminar também registrou que os mancais tinham sido lubrificados cerca de duas semanas antes da queda, em 18 de outubro de 2025.

O relatório preliminar ainda afirmou que as “lugs” (orelhões/abas) que mantinham a peça no lugar — também fraturadas — e outros dispositivos de acoplamento só deveriam passar por uma inspeção especial após mais alguns milhares de ciclos de decolagem e pouso.

c.2026 The New York Times Company

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