
Tentativa, entretanto, não teria soado bem entre nomes do Centrão, que ainda enxergam o apoio ao senador com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada 'irreversível'.
Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca.
Ao lado de um dos seus irmãos mais novos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Flávio tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, entretanto, impossibilitaram o objetivo bolsonarista.
O encontro tinha por objetivo posicionar ao eleitorado bolsonarista um alinhamento do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro com o governo americano e, com isso, frear qualquer insurgência de outro nome do campo da direita. Além disso, o registro com Rubio mostraria que a família Bolsonaro ainda goza de prestígio junto ao primeiro escalão do governo Trump, apesar da recente aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A tentativa, entretanto, não teria soado bem entre nomes do Centrão, que ainda enxergam o apoio a Flávio com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada “irreversível”, diante das últimas pesquisas de intenção de votos.
Na interpretação caciques de partidos de centro ouvidos pelo GLOBO, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista” e mostraria que a família ainda flerta com o radicalismo simbolizado pela atuação de Eduardo. Teria partido do filho 03 de Bolsonaro os contatos, que se encerraram no dia 3, após a divulgação da operação militar em território venezuelano.
A ideia de Flávio é voltar aos Estados Unidos até abril, quando deve fazer uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, o senador pretende se posicionar mais ao centro e, de acordo com interlocutores, planeja convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para viajar com ela. Desta forma, ele imagina que conseguiria se posicionar como nome de centro-direita.
Dias antes, Flávio passou a virada de ano em evento organizado pelo pastor André Valadão para brasileiros que moram em Orlando. Oficialmente, a ida aos Estados Unidos se tratou de uma “viagem em família para visitar o irmão”. Flávio retornará ao Brasil nos próximos dias.
Durante a viagem, Flávio ainda transmitiu a Eduardo um recado dado pelo pai, que encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em uma conversa reservada de aproximadamente uma hora, o senador teria passado ao irmão orientações sobre a postura que deve ser adotada de agora em diante: sem confrontos com membros do Centrão e falas que exponham discordâncias com nomes do PL, a exemplo do que já ocorreu anteriormente, quando Eduardo brigou publicamente com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A orientação dada por Bolsonaro para que os filhos demonstrassem união em torno do nome de Flávio, levada ao pé da letra, também se transformou em problema. Em uma transmissão, Flávio definiu Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e disse ser uma honra poder contar com ele para o Itamaraty, caso seja eleito. A fala gerou mal-estar entre os membros do Centrão e Flávio já fez chegar a eles o recado de que tinha a intenção apenas de mostrar o alinhamento familiar.
Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.
Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar “injustas” as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação do americano com Lula, o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
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