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ONGs questionam segurança de perfuração da Petrobras no AP após vazamento de fluido

ONGs questionam segurança de perfuração da Petrobras no AP após vazamento de fluido

07/01/2026 às 18h09
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo
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ONGs questionam segurança de perfuração da Petrobras no AP após vazamento de fluido

ONGs questionam segurança de perfuração da Petrobras no AP após vazamento de fluido.

 

Entidades pedem suspensão imediata das atividades da Petrobras, principalmente após o vazamento de fluido de perfuração durante a exploração do poço de Morpho.

Organizações ambientais e movimentos sociais protocolaram pedido de tutela antecipada junto a um processo aberto na Justiça Federal do Amapá, que pede a anulação da licença para as atividades de perfuração, pela Petrobras, de poços de petróleo no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, a 175 quilômetros da costa do Amapá.

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O pedido é de suspensão imediata das atividades da Petrobras, principalmente após o vazamento, no domingo, 4, de fluido de perfuração durante a exploração do poço de Morpho.

Assinam a petição o Instituto Arayara, Greenpeace Brasil, WWF-Brasil, Observatório do Clima e as principais articulações indígenas e quilombolas do País, como a Apib e a Conaq.

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Segundo as organizações, o vazamento jogou 15 mil litros de fluido de perfuração no mar a uma profundidade de 2.700 metros. Para as entidades, o episódio é a prova concreta de que as garantias de segurança apresentadas pela Petrobras são insuficientes.

A Petrobras argumenta que o fluido de perfuração é biodegradável e o vazamento é comum na indústria, não causando assim impacto ao meio ambiente.

A exploração do poço Morpho foi interrompida após o incidente e deve ser retomada em 15 dias. A empresa não informou o volume derramado.

O documento das organizações destaca ainda, que o fluido vazado, embora por vezes minimizado pela indústria, é uma mistura complexa de produtos químicos e gases com impacto ambiental direto. Segundo os autores, o acidente reforça estatísticas históricas: entre 1975 e 2014, mais de 95% dos acidentes em plataformas ocorreram justamente em águas profundas, como é o caso da Margem Equatorial brasileira.

A ação civil pública aponta que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) utilizado para liberar a atividade é falho e não prevê adequadamente como responder a emergências em uma região de correntes marítimas extremamente fortes. Além disso, as organizações denunciam que não houve consulta prévia e informada aos povos indígenas e quilombolas da região, uma exigência legal para empreendimentos com potencial impacto em seus territórios.

Ao pedir a suspensão da Licença de Operação, o Instituto Internacional Arayara e as demais organizações invocam o “princípio da precaução”. O objetivo é evitar que um dano ambiental irreversível ocorra enquanto o licenciamento ainda possui lacunas técnicas graves. Agora, cabe à 1ª Vara Federal Cível do Amapá decidir se interrompe ou não as atividades de perfuração na região, informou a nota.

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