
Com a aproximação das festas de fim de ano, o uso de fogos de artifício volta a ser tema de preocupação entre famílias, profissionais de saúde e órgãos de segurança. Em São Sebastião, a Lei Municipal nº 3.018/2023 proíbe a fabricação, comercialização, armazenamento, transporte e soltura de fogos com estampido, medida que busca reduzir riscos e proteger a população, os animais e o meio ambiente. Mesmo assim, ainda há registros de descumprimento da legislação, o que expõe pessoas sensíveis ao barulho e animais a impactos significativos, além de aumentar a possibilidade de acidentes durante o manuseio inadequado desses artefatos.
Pessoas sensíveis
Alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade ao barulho súbito e intenso dos fogos com estampido, podendo sofrer sobrecarga sensorial, crises emocionais, desorientação ou danos auditivos. Estão entre os mais sensíveis: pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos mentais como ansiedade e TEPT, indivíduos com deficiência intelectual, idosos com demência, pessoas com perda auditiva parcial e bebês. O som explosivo pode gerar medo intenso, agitação, comportamentos desorganizados, fuga repentina, dor no ouvido ou crises que podem durar horas ou dias.
Para minimizar os impactos, profissionais de saúde auditiva e comportamento sensorial recomendam preparar um ambiente mais tranquilo dentro de casa, com pouca luz e estímulos reduzidos, além do uso de abafadores ou equipamentos com cancelamento de ruído. Em casos de TEA, ansiedade ou TEPT, avisos prévios, técnicas de respiração e apoio emocional também ajudam a reduzir crises. Para idosos com demência, a criação de um espaço seguro e familiar é essencial para diminuir a sensação de confusão e medo.
Animais domésticos
Cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a humana, o que faz com que explosões repentinas desencadeiem estresse agudo, taquicardia, desorientação, tremores, tentativas de fuga e, em situações extremas, acidentes graves. Para protegê-los, os tutores devem mantê-los em ambientes internos e seguros, com portas e janelas fechadas, além de preparar um espaço acolhedor onde o animal se sinta protegido. A presença de um responsável reduz o medo e a sensação de ameaça. Para pets com histórico de pânico intenso, a orientação é buscar previamente um médico-veterinário.
Uso irregular de fogos
O SAMU e o Corpo de Bombeiros alertam que grande parte dos acidentes ocorre durante o acendimento manual, especialmente quando a pessoa segura o artefato na mão e a explosão ocorre antes do previsto, podendo resultar em queimaduras graves e até amputações. O artefato nunca deve ser aceso nas mãos e precisa ser posicionado no chão, com afastamento imediato após o acionamento. Artefatos que falharam não devem ser reaproveitados nem reacendidos. No caso de rojões, cujo uso não é recomendado, a orientação é fixá-los no chão em um suporte seguro para evitar disparos descontrolados; quando o usuário insiste em segurá-los, é obrigatório utilizar um espaçador que mantenha a espoleta afastada da mão.
O Corpo de Bombeiros reforça que pessoas que forem manusear fogos não devem ingerir bebidas alcoólicas e jamais devem permitir que crianças tenham acesso ou acionem os artefatos. Também é fundamental adquirir produtos apenas em estabelecimentos que possuam Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), além de ler e seguir atentamente todas as instruções dos rótulos. O órgão ainda orienta evitar o uso de fogos próximos a árvores, fiações elétricas ou locais com risco de incêndio.
Em caso de acidente
Se houver ferimentos, sangramentos devem ser contidos com compressão utilizando pano limpo, e queimaduras devem ser cobertas sem aplicação de pomadas, gelo ou substâncias caseiras. Em situações de amputação, o membro deve ser colocado em um recipiente com água gelada, nunca diretamente no gelo, enquanto o socorro é acionado pelo 192. Em casos de queimadura, o Corpo de Bombeiros orienta que não se deve tentar “limpar” o ferimento com algodão, panos ou qualquer material abrasivo. A forma correta de agir é lavar a região queimada com água corrente abundante ou soro fisiológico, sem esfregar o local. Assim que possível, a vítima deve procurar atendimento médico ou acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 para atendimento e transporte seguro.
Em situações de incêndio, a orientação é se afastar imediatamente, mantendo distância de outros artefatos que possam ser deflagrados pelo calor, e ligar para o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
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