
Em busca do cabelo liso dos sonhos, muitas pessoas recorrem a diferentes tipos de processos químicos para alcançar a textura desejada, chegando até mesmo a utilizar produtos contendo formol, uma substância cancerígena proibida para uso no Brasil, de acordo com determinação da Anvisa.
De acordo com a terapeuta capilar Keith Kanegae, criadora do método Lisoterapia, muitos profissionais ainda recomendam o uso de progressivas com formol em cabelos descoloridos, o que é um erro grave. “A crença de que qualquer tipo de alisamento que não contém formol é incompatível com a descoloração ainda é comum entre os profissionais da beleza”, afirma. No entanto, segundo a especialista, essa ideia não se aplica aos alisamentos de pH ácido sem formol.
“A confusão ocorre porque a falta de compreensão sobre a diferença entre os mecanismos de ação dos alisamentos ácidos e alcalinos contribui para a desinformação e insegurança”, explica.
A profissional também enfatiza que os alisamentos de pH ácido sem formol possuem um mecanismo de ação diferente dos alisamentos de pH alcalino, como os hidróxidos ou tioglicolatos. “Apesar de também agirem sobre as pontes dissulfeto (ligações químicas responsáveis pela forma do cabelo), eles fazem isso de forma menos agressiva”, afirma.
Em outras palavras: as pontes dissulfeto, que são ligações entre átomos de enxofre presentes na queratina do cabelo, são responsáveis por definir a curvatura natural dos fios. Produtos químicos tradicionais, como os hidróxidos e tioglicolatos, agem quebrando ou separando essas ligações.
Keith enfatiza que os alisamentos de pH ácido não rompem e não eliminam as pontes dissulfeto. “Isso significa que a estrutura interna do fio permanece intacta, o que torna esses produtos compatíveis com outras químicas que também interagem com as pontes dissulfeto, como descolorações e colorações”, ressalta.
Cuidados antes e depois do alisamento
Mesmo com o certificado da Anvisa, todos os alisamentos exigem uma avaliação criteriosa da saúde dos fios, especialmente em cabelos descoloridos.
Segundo Keith Kanegae, é indispensável que o profissional responsável pelo procedimento escolha cuidadosamente os produtos e oriente o cliente sobre os cuidados pré e pós-alisamento combinados com descoloração. “Além disso, devem esclarecer aos clientes que o alisamento não é tratamento e que a manutenção semanal é crucial para a saúde capilar”, afirma.
A terapeuta capilar ressalta que recomendar progressivas com formol para cabelos descoloridos não é apenas tecnicamente incorreto, mas também uma atitude irresponsável, colocando em risco tanto a saúde do cabelo quanto a do cliente.
“Com o avanço dos tratamentos, é possível alisar fios descoloridos de maneira segura, utilizando produtos regulamentados e técnicas que preservam a saúde capilar”, finaliza Keith Kanegae, terapeuta capilar e criadora das técnicas de alisamento do @lisoterapia.
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