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“Avatar” volta aos cinemas e agora mira também a sala da sua casa

“Avatar” volta aos cinemas e agora mira também a sala da sua casa

17/12/2025 às 13h59
Por: Redação Fonte: Agência CNN Noticias
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“Avatar” volta aos cinemas e agora mira também a sala da sua casa

"Avatar" volta aos cinemas e agora mira também a sala da sua casa.

 

Novo filme estreia junto a expansão de game e transforma "Avatar" em um ecossistema de entretenimento entre cinema e videogame.

Eu sempre acho legal quando um filme decide virar um jogo de videogame. E sempre acho curiosa a experiência de “rever” o filme no controle aparente da história. É a chance que a gente tem de revisitar um roteiro já conhecido, mas com a possibilidade de interferir na história, de recontar alguns trechos com novos detalhes, trilhando novos caminhos.

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Imagina o quão legal é poder fazer isso com a sequência do filme que até hoje tem o título de a maior bilheteria da história do cinema. O que está chegando agora nas salas de projeção aqui no Brasil é “Avatar: Fogo e Cinzas”, o terceiro filme da saga.

E, praticamente ao mesmo tempo, uma das maiores produtoras de games do mundo tá fazendo um lançamento com uma estratégia simpática... A Ubisoft quer que você saia da sala de cinema e vá direto pra sala da sua casa jogar algo próximo do que você acabou de assistir.

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Para entender em detalhes essa estratégia quase de “venda casada” eu fui até Los Angeles, conhecer os estúdios da Lighstorm, a produtora de conteúdo gigantesca do James Cameron, que, além de "Avatar", fez também "Titanic", "Exterminador do Futuro", "Alien" e outros títulos que certamente você assistiu ou, no mínimo, já ouviu falar bastante.

Quase nada do que eu vivi ali pôde ser gravado, fotografado ou postado, mas, o que deu para perceber bem nessa vivência, é que a história mais recente de "Avatar" é mais do que uma saga cinematográfica: é um ecossistema de entretenimento.

O cinema entende o jogo e vice-versa

Durante a visita, o que mais me chamou atenção foi a integração criativa entre cinema e games. A gente não está falando necessariamente só de um “produto licenciado”, feito às pressas pra aproveitar o hype do filme.

O que a Ubisoft está lançando agora é a expansão de um jogo que já existe há dois anos, o “Avatar: Frontiers of Pandora”. Mas é quase que um título novo, uma continuação enorme, diretamente inspirada em Fogo e Cinzas, ampliando a narrativa e aprofundando o universo que está fresco no cinema.

A proposta é tão simples quanto ambiciosa: permitir que o jogador continue em Pandora, aquela terra absurdamente linda com montanhas flutuantes, fauna e flora que brilham no escuro, mas agora com um enredo todo novo, novos e gigantescos territórios e mais um inimigo a ser combatido.

É nesse novo filme (e nessa expansão do jogo) que a gente vai conhecer o povo das cinzas. São seres caçadores, assassinos e extremamente violentos, como me disseram os próprios produtores do estúdio.

Foi num anfiteatro do tamanho de uma sala de cinema de shopping, dentro da Lighstorm , em Los Angeles, que eu fui convidado com um grupo de produtores de conteúdo do mundo todo a assistir um trecho grande do novo filme, mais de 13 minutos de exibição. A experiência manteve os óculos 3D que trouxeram o hype dessa tecnologia no primeiro filme da saga, lá em 2009. Depois, a gente conversou com os produtores tanto da Lighstorm, para falar sobre o filme, quanto da Ubisoft, pra trazer as conexões com o jogo.

Depois disso, eu tive a oportunidade de ficar coisa de 40 minutos testando a expansão do jogo e, de verdade, eu curti demais! Se você não conhece a Ubisoft, ela é uma das maiores produtoras de games do mundo e responsável por títulos que trazem o primor gráfico em primeiro plano. São nomes como Assassin’s Creed, Watch Dogs, Far Cry e Rainbow Six, só para citar alguns.

No game, você pode escolher se joga em primeira ou terceira pessoa. Pra quem não sabe, primeira pessoa é quando a gente só enxerga as mãos do personagem, como se a sua visão fosse a do protagonista. Visão em terceira pessoa é quando a gente controla o personagem enxergando ele por inteiro na tela. Eu achei o jogo um pouco difícil para os meus padrões, mas extremamente dinâmico. Os gráficos tão bem impressionantes, principalmente os detalhes das florestas e as cenas de ação. Eu poderia facilmente ter ficado ali horas testando a expansão do jogo.

Confira o trailer da expansão

Por que que esse lançamento conjunto faz tanto sentido agora

A estratégia conversa diretamente com o tamanho e a força da indústria de games hoje. Globalmente, o setor já movimenta bilhões por ano: US$ 190 bilhões vindos de bilhões de jogadores ativos (sim, bilhões com B de bola). No Brasil, percentualmente, o cenário é ainda mais absurdo: mais de 80% dos brasileiros consomem jogos digitais.

Não é exagero dizer que o Brasil já tá bem consolidado como o maior mercado de games da América Latina e um dos mais relevantes do mundo. Ignorar isso, pra uma franquia do tamanho de Avatar, seria desperdiçar tempo, audiência e conversa cultural que vira faturamento.

O jogo como extensão da narrativa

No contato que eu tive ali com os desenvolvedores e com tudo o que eu vi ficou claro que o jogo tá apostando em algo que o cinema não consegue entregar sozinho: muito mais tempo de imersão. Enquanto o filme condensa emoção em algumas horas, o game oferece dezenas delas — com exploração em mundo aberto (com várias opções de caminhos), escolhas e liberdade.

A Ubisoft reforça essa ambição quando trata a expansão não como conteúdo secundário, mas como parte viva do universo "Avatar". É uma resposta direta a um público que não quer só assistir histórias, mas participar delas.

No fim das contas, é sobre onde você passa seu tempo

Desde 2009, no lançamento do primeiro filme da saga, muita coisa mudou no entretenimento. Hoje, grandes franquias tão disputando atenção com feeds, streaming e notificações. Apostar no videogame não é tendência — é sobrevivência cultural.

"Avatar: Fogo e Cinzas" está chegando no cinema prometendo mais um espetáculo visual. Mas é no controle, explorando Pandora por conta própria, que muita gente vai perceber como essa história foi pensada pra durar bem mais do que o tempo de comer um baldão de pipoca.

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