
Declaração foi feita em meio a atual tensão entre os países após declarações da premiê japonesa sobre Taiwan.
O Japão está ameaçando a China militarmente, o que é "completamente inaceitável", declarou o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, ao seu homólogo alemão, após Tóquio afirmar que caças chineses haviam apontado seus radares para aeronaves militares japonesas.
O Japão denunciou o encontro como um ato perigoso, embora a China tenha acusado o Japão de enviar aeronaves para se aproximarem repetidamente e perturbarem a Marinha chinesa enquanto esta realizava treinamento de voo embarcado previamente anunciado a leste do Estreito de Miyako.
As relações se deterioraram no último mês, desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, alertou que seu país poderia responder a qualquer ação militar chinesa contra Taiwan, se isso também ameaçasse a segurança japonesa.
Durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, em Pequim, na segunda-feira (8), Wang Yi afirmou que, considerando que este ano se comemora o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão, "como nação derrotada", deveria ter agido com maior cautela.
"No entanto, agora, seu atual líder está tentando explorar a questão de Taiwan — o próprio território que o Japão colonizou por meio século, cometendo inúmeros crimes contra o povo chinês — para provocar problemas e ameaçar militarmente a China. Isso é completamente inaceitável", declarou Wang, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
O Japão administrou Taiwan como colônia de 1895 a 1945 e, ao final da guerra, a ilha foi entregue ao governo da República da China, que então se refugiou na ilha em 1949, após perder a guerra civil contra os comunistas de Mao Tsé-Tung.
Wang afirmou que a atual líder do Japão "fez recentemente declarações imprudentes sobre situações hipotéticas envolvendo Taiwan".
O status de Taipé como território chinês foi "inequivocamente e irreversivelmente confirmado por uma série de fatos históricos e jurídicos incontestáveis", acrescentou.
O governo taiwanês, que rejeita as reivindicações territoriais de Pequim, tem acusado repetidamente a China de deturpar a história, afirmando que a República Popular da China não existia em 1945.
República da China continua sendo o nome oficial de Taiwan.
Wang afirmou que, como a República Popular da China foi o Estado sucessor da República da China, ela "naturalmente" detém soberania sobre a ilha.
Em declarações feitas em Taipei, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Taiwan, Hsiao Kuang-wei, afirmou que a ilha "absolutamente não faz parte" da República Popular da China e nunca foi governada por ela.
"Somente o governo democraticamente eleito de Taiwan pode representar os 23 milhões de habitantes de Taiwan na comunidade internacional e em fóruns multilaterais", acrescentou.
Questionado sobre a justificativa de Pequim para o uso de radar contra jatos militares japoneses no fim de semana, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, reiterou a posição de Tóquio, contestando a versão chinesa do ocorrido.
"A iluminação intermitente de feixes de radar é um ato perigoso que ultrapassa os limites da segurança e do necessário", declarou ele em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (9).
Ele se recusou a confirmar as notícias veiculadas pela mídia de que Pequim não teria respondido aos chamados do Japão durante o incidente, feitos por meio de uma linha direta bilateral estabelecida em 2018.
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